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Literatura: “Não se pode morar nos olhos de um gato”, um romance para conhecer na Biblioteca Municipal

Rádio Alto Minho

04 Maio 2016, 12:10

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A Biblioteca Municipal de Viana do Castelo vai ser palco da apresentação do livro “Não se pode morar nos olhos de um gato”, de Ana Margarida de Carvalho, no próximo dia 27 de maio, às 21.30.

A obra da escritora e jornalista vai ser o tema principal da iniciativa ‘À Conversa com…’ deste mês, apresentada na Sala Couto Viana.

Nascida em Lisboa, onde se licenciou em Direito e viria a tornar jornalista, Ana Margarida de Carvalho viu, por sete vezes, as suas reportagens serem premiadas com os mais prestigiados galardões do jornalismo português, como o Prémio Gazeta Revelação do Clube de Jornalistas de Lisboa, do Clube de Jornalistas do Porto ou da Casa de Imprensa. Passou pela redação da SIC e publicou artigos revistas de renome, ocupando atualmente o cargo de grande repórter e crítica de cinema. Autora do livro infantil “A Arca do E”, arrecadou o grande prémio de Romance e Novela da APE com o seu primeiro romance “Que importa a fúria do mar”.

Sobre a nova obra, “Não se pode morar nos olhos de um gato”, que decorre em finais do século XIX, a escritora retrata um tumbeiro clandestino que naufraga ao largo do Brasil, num período já depois da abolição da escravatura.

“Um grupo de náufragos atinge uma praia intermitente, que desaparece na maré-cheia: um capataz, um escravo, um mísero criado, um padre, um estudante, uma fidalga e sua filha, um menino pretinho ainda a dar os primeiros passos… Todos são vencedores na morte, perdedores na vida. O mar, ao contrário dos seus antecedentes quotidianos, dá-lhes agora uma segunda oportunidade, duas vezes por noite, duas vezes por dia. Ao contrário do que pensam, não estão sós naquele cárcere, com os penhascos enquanto sentinelas, cercados de infinitos, entre o céu e o oceano. Trazem com eles todos os seus remorsos, todos os seus fantasmas. E mais difícil do que fazerem-se ao mar ou escalarem precipícios será ultrapassarem os preconceitos: os de raça, os de classe social, os de género, os de credo. Para sobreviverem, terão de se transformar num monstro funcional com muitos braços e muitas cabeças; serão tanto mais deuses de si próprios quanto mais se tornarem humanos e conseguirem um estado de graça a que poucos terão acesso: a capacidade de se colocarem na pele do outro.”

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