Melgaço reforça aposta em espumante Alvarinho com segunda edição de festa dedicada àquele produto
22 Novembro 2016, 15:48
A empresa Quintas de Melgaço, parcialmente detida pela Câmara Municipal, informou hoje vai reforçar a apostar no espumante Alvarinho já que na sub-região Monção-Melgaço a produção subiu de três mil garrafas em 1998 para 100 mil na última colheita.
De acordo com o administrador delegado da empresa Quintas de Melgaço, cuja maioria do capital é detido pela Câmara local, Pedro Soares, “em 1998 existia apenas uma marca de espumante Alvarinho, contra as 20 atuais que geram um volume de negócios de 700 mil euros, por ano”.
Pedro Soares, que falava a propósito da segunda edição da Festa do Espumante, promovida pela Câmara de Melgaço, que vai decorrer entre os dias 25 e 27 naquele concelho do Alto Minho, adiantou que a produção daquele vinho “é um segmento em crescimento, sobretudo em termos qualitativos”.
“A produção de espumante Alvarinho é um fenómeno recente, que tem vindo a ser explorado. Esta evolução tem sido marcada por uma aprendizagem constante junto de outras regiões com experiência nesta área com vista a alcançar mais qualidade visto termos uma casta de excelência”, sustentou.
O responsável explicou que os produtores da empresa “Quintas de Melgaço” produzem, por ano, cerca de 12 mil garrafas de espumante, “desde o Reserva com 12 meses de estágio em garrafa ao Velha Reserva, com estágio de 36 meses, em garrafa”, e atingem uma faturação anual da ordem dos 100 mil euros.
Segundo os especialistas trata-se “de um vinho de cordão fino, mousse cremosa, acidez no ponto e grande capacidade de harmonização gastronómica”, sendo que, “a generalidade dos espumantes é elaborada a partir da casta Alvarinho, mas também com algumas versões rosado e tinto”.
Este ano, vão participar na segunda Festa do Espumante, no Largo Hermenegildo Soalheiro, em pleno centro histórico do concelho, 13 produtores, sendo que 12 são de Melgaço, e que irão apresentar “duas dezenas de espumantes da casta Alvarinho a que se juntam algumas versões ‘rosé’”.
O programa do evento, que durante os três dias da primeira edição foi visitado por mais de 10 mil pessoas, inclui a gastronomia regional, mostra de produtos regionais, provas comentadas, provas sensoriais, sessões de cozinha ao vivo, onde chefes de cozinha vão reinterpretar receitas com produtos típicos da região e animação musical.
Melgaço integra desde 1908, juntamente com município vizinho de Monção, a sub-região demarcada do Vinho Alvarinho. Na sequência da publicação da portaria 152/2015, a produção de Alvarinho foi alargada aos 47 concelhos que integram a Região dos Vinhos Verdes (RVV).
Aquela legislação resultou de um acordo alcançado em janeiro de 2015 pelo Grupo Trabalho do Alvarinho (GTA), constituído pelo anterior governo PSD-CDS e liderado pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), para negociar a denominação daquele vinho, cuja exclusividade de produção era detida por aquela sub-região desde 1908.
Os produtores de Monção, concelho com cerca de 900 hectares de terrenos dedicados exclusivamente à produção de vinho Alvarinho, aceitaram o acordo.
Já os 600 produtores de Melgaço, acionistas da empresa “Quintas de Melgaço”, cuja maioria do capital é detido pela autarquia local, contestam o alargamento da produção por considerarem que “prejudica” a sub-região.





















