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Monção: Unidade de enoturismo dedicada ao Alvarinho abre no próximo ano, em casa do século XV

Andrea Cruz

10 Outubro 2018, 12:08

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Abandonada há três séculos, uma casa do século XV, em Monção, vai reabrir, em junho de 2019, transformada em unidade de enoturismo e centro de experimentação do vinho Alvarinho. O investimento privado do enólogo Anselmo Mendes ronda os três milhões de euros.

O projeto turístico Casa da Torre – Quinta da Bemposta, começou a ganhar forma em 2016 com a compra dos 62 hectares da propriedade que, em 2008, havia arrendado para “dar largas à sua veia de experimentador” e produzir a sua casta de “eleição”, o Alvarinho.

“Apaixonei-me pela quinta. Encontrei sete diferentes tipos de solos. Para quem é experimentador como eu, tenho um brinquedo ótimo para fazer investigação experimental e perceber o que cada solo imprime ao vinho Alvarinho”, afirmou o enólogo, natural de Monção.

Quando adquiriu a propriedade, situada na freguesia de Moreira, junto às margens do rio Gadanha, o maior afluente do rio Minho, as silvas e mato “escondiam um tesouro abandonado durante três séculos”: A Casa da Torre, do século XV, com o seu “ar medieval, a lembrar um castelo da Toscânia”, guardava uma história “fabulosa” que Anselmo Mendes não quis “atirar para baixo do tapete”.

“Foram precisos dois anos para reconstruir a história da casa e avançar para a sua reconstrução quase fiel. Foram recolhidos dados na Torre do Tombo, nos arquivos municipais e diocesanos”, referiu, adiantando que aquela investigação permitiu perceber a razão do abandono prolongado a que tinha estado votada. Em 1702, a herdeira da casa, Maria Cláudia Noronha de Magalhães e Meneses, casou “com um homem muito rico da linha de Avis e foi viver para Lisboa, sem nunca mais voltar”.

A habitação abrasonada, por onde passaram “as famílias mais importantes da altura desde os Castros aos Pereiras, Bacelares ou Soares” ficou entregue aos caseiros, tal com os terrenos.

O projeto turístico, agora “em fase avançada”, vai disponibilizar dez suites e um centro de experimentação do Alvarinho, a instalar nas três torres da casa.

Além do alojamento, com abertura prevista para junho de 2019, a produção de Alvarinho que Anselmo Mendes começou a plantar na última década e que ocupa 45 hectares chegou, este ano, às 200 toneladas de uva.

Dentro de dois anos, estima o enólogo, e com mais cinco hectares que tenciona plantar, a produção atingirá o meio milhão de quilos de uva.

“É a maior plantação de Alvarinho do Alto Minho e do país. Não há nenhuma propriedade com 50 hectares de plantação contínua desta casta”, realçou.

Para já, o Alvarinho da Quinta da Bemposta está a ser canalizado para as marcas que Anselmo Mendes tem no mercado, mas o projeto turístico prevê a criação de um novo rótulo, para um vinho “com identidade e caráter”.

Além do Alvarinho, Anselmo Mendes produz Loureiro, em cinco quintas arrendadas no Vale do Lima. Por ano, produz 800 mil garrafas de vinho Alvarinho e Loureiro, exporta para 35 países e fatura 3,5 milhões de euros.

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