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Ordem dos Médicos diz que subfinanciamento da Unidade Local de Saúde do Alto Minho é “assustador”

Andrea Cruz

14 Novembro 2018, 17:07

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O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães classificou de "absolutamente assustador" o subfinanciamento da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM).

“O subfinanciamento da ULSAM é uma coisa absolutamente assustadora. Com este nível de financiamento a administração da ULSAM não tem dinheiro para fazer aquilo que precisa de fazer”, afirmou Miguel Guimarães.

A ULSAM é constituída por dois hospitais, o de Santa Luzia, em Viana do Castelo, e o hospital Conde de Bertiandos, em Ponte de Lima. Integra ainda 12 centros de saúde, uma unidade de saúde pública e duas de convalescença, e serve uma população residente superior a 244 mil pessoas, contando com 2.500 profissionais, entre os quais 501 médicos e 892 enfermeiros.

“Esta uma situação grave para quem está a dirigir, nomeadamente para quem está na administração, mas também tem repercussões para quem está no terreno”, afirmou o bastonário da Ordem dos Médicos à porta do hospital de Santa Luzia, na capital do Alto Minho.

O responsável, que falava aos jornalistas no final de uma visita àquela unidade e aos centros de saúde da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM), disse que, “neste momento, os médicos estão numa situação limite” e denunciou “a falta de dinheiro para a contratação de profissionais de saúde”.

“Faltam especialistas em praticamente todas as especialidades, sendo que a situação mais crítica é a de anatomia patológica. É um hospital que tem apenas um médico de anatomia patológica e serve uma população de cerca de 250 mil habitantes, população envelhecida, com uma carga de doença crónica elevada e, nomeadamente, doença oncológica. Esta situação pode provocar atrasos inaceitáveis”, sustentou.

Miguel Guimarães destacou que o anatomopatologista do hospital de Santa Luzia “trabalha em regime de prestação de serviços”.

“Quando é necessário, e isso acontece muitas vezes, tentam contratar mais serviços externos”, sustentou.

Disse ter feito “mais de 50 apontamentos sobre coisas que não estão bem” durante as reuniões que hoje manteve com os médicos e a administração da ULSAM, acompanhado pelo presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos, António Araújo, e por vários elementos do Conselho Sub-regional de Viana do Castelo, nomeadamente o presidente Nelson Rodrigues.

Segundo Miguel Guimarães, “faltam nove anestesiologistas” e no hospital de Santa Luzia “já foram adiadas cirurgias por falta de assistentes operacionais”.

Apontou também como problema o serviço de radiologia, apesar de sublinhar que não se trata de uma questão “exclusiva de Viana do Castelo, mas transversal ao país”.

“No caso da radiologia, é um ‘outsourcing’ com uma empresa sediada em Lisboa. Não há contacto nenhum com os doentes. É uma coisa inacreditável. (…) Um hospital que tem um serviço de urgência para 250 mil pessoas devia ter radiologistas em presença física no hospital, devia ter um serviço de radiologia organizado, onde fosse possível fazer exames de diagnóstico essenciais, como é o caso de ecografias e TAC”, reforçou.

Como problemas estruturais referiu a “dificuldade em manter uma temperatura estável no bloco operatório, estruturas que não são resistentes e onde entra água quando chove”, situação que, disse, afeta “algumas enfermarias”.

O bastonário da Ordem dos Médicos denunciou ainda as “obras paradas no centro de saúde de Viana do Castelo e no serviço de urgência do hospital”.

“Notamos que os profissionais de saúde estão desesperados e estamos a falar concretamente dos médicos. Os médicos estão a começar a ficar desmotivados e a começar a pensar que o distrito de Viana do Castelo está a ser completamente ignorada pelo Governo”, frisou.

Miguel Guimarães disse que o “hospital vai fazendo o que pode e que as pessoas vão-se desenrascando com as deficiências que existem”.

“Ainda assim, a capacidade de resposta deste hospital tem aumentado nos últimos anos. Se verificarem os números ou falarem com o presidente do conselho de administração ele vai dizer que o hospital fez mais consultas e cirurgias, e é verdade. Isto tem sido à custa de um esforço absolutamente extraordinário dos profissionais de saúde e por isso é que as pessoas estão a chegar a um limite em que já não conseguem mais”, concluiu.

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