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Pais de Viana aceitam luta de professores mas admitem transtornos causados pela greve

Andrea Cruz

16 Março 2018, 12:23

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O quarto e último dia paralisações regionais dos professores afetou hoje as escolas do norte e, em Viana do Castelo, o protesto mereceu o apoio dos pais que a reportagem da Rádio Alto Minho abordou hoje à porta de três estabelecimentos de ensino mas os encarregados de educação admitiram “transtornos”  na rotina familiar, desde chegar tarde ao emprego a ter de encontrar solução a dar aos filhos.

 

Na escola EB1 da Avenida, em pleno centro da cidade Rui Gonçalves mostrou-se “solidário” com a “luta” dos docentes, até porque, também é funcionário público, mas reconheceu que a paralisação teve impactos de ordem pessoal.

“Vou chegar mais tarde ao trabalho porque tenho de aguardar para saber se há aulas ou não”, afirmou o encarregado de educação que andou num “corrupio”, entre as escolas dos filhos, distanciadas cerca de dois quilómetros.

Cerca das 08:15 deixou o mais velho, de 13 anos, aluno do 8º ano, na escola Básica EB 23 de Viana Do Castelo, na Abelheira. Às 08:45 aguardava, com a filha de sete anos, aluna do terceiro ano, à porta EB1 da Avenida, em pleno centro da cidade.

“O mais velho teve aulas. Se não tivesse, como tem 13 anos, teria de ir sozinho para casa. A mais nova é mais complicado. Se não tiver aulas terá de ir para o ATL (atividades de tempos livres)”, explicou.

Em dia de feira e mercado semanal, notou-se no trânsito a atividade dos encarregados de educação.

Benedita Correia estacionou à porta da primária da Abelheira cerca das 08:20, mas as portas encontram-se fechadas. Abordada pela RAM  enquanto lia os avisos afixados nos vidros da entrada, admitiu que “não era surpresa”. Sabia da paralisação, e concorda .”Acho que os professores têm de fazer alguma coisa para melhorar a vida”.

A filha, aluna do terceiro, ano “vai para os tempos livres” e só volta à escola na terça-feira porque no aviso que leu anunciava-se outra greve para segunda-feira, dos assistentes operacionais.

“Para ela são miniférias. Para nós, os tempos livres são a solução”, referiu a encarregada de educação.

Uns metros ao lado, na escola EB 23, às 08:31, os alunos aguardavam à porta para saber se teriam aulas. Um “impasse” que António Amorim condenou apesar de reconhecer o “direito” dos professores em paralisar.

“Esta incerteza é complicada. Vou chegar tarde ao trabalho e se não tiver aulas terei de o deixar nos meus pais”, afirmou o pai do jovem, aluno sétimo ano.

Guilherme Afonso, pai de uma aluna do quinto ano, na mesma escola, “sabia” da greve, “apoia” a “luta antiga dos professores” e desvalorizou os “transtornos” da greve.

“Tem de ter impacto. Se nós não sentirmos estes transtornos a greve não tem nenhum efeito prático. Logo temos que ser solidários com a classe docente que está a ser muito mal tratada”, afirmou.

Ao lado, Carla Magalhães, docente, aguardava com o filho para saber se haveria aulas. Carla aderiu ao protesto por se “recusar” a “deitar nove anos de trabalho ao lixo”.

“Foram nove anos de muito trabalho muito esforço e por isso tem de ser recompensados de alguma forma” referiu a professora. “É muito estranho olhar para o meu processo e ver lá todos estes anos com um zero, relativamente ao tempo se serviço para progressão na carreira”, desabafou.

O Ministério da Educação admite descongelar dois anos e dez meses de tempo de serviço aos docentes, mas estes não desistem de ver contabilizados os nove anos e quatro meses, embora admitam um processo faseado.

A coordenadora local do Sindicato dos Professores do Norte (SPN) referiu que “os dados recolhidos entre as 10:00 e as 10:30 indicavam uma adesão superior a 40%”.

De acordo com Conceição Liquito, em Viana do Castelo, “a adesão nos vários estabelecimentos de ensino que integram os agrupamentos escolares do concelho varia entre os 20% e os 100%”.

Segundo as previsões do sindicato, a greve “terá menor impacto no ensino secundário, por se tratar de uma semana de avaliações e no ensino profissional, pelo facto dos professores terem de repor as aulas afetadas pela paralisação”.

A greve foi convocada pelas dez estruturas sindicais de professores que assinaram a declaração de compromisso com o Governo, em novembro, entre as quais as duas federações – Federação Nacional de Educação (FNE) e Fenprof – e oito organizações mais pequenas.

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