Na terça-feira, os mestres e pescadores das 40 embarcações reuniram com o presidente da Câmara de Caminha a quem manifestaram “indignação pelo tratamento desigual” e anunciaram um protesto, marcado para sexta-feira, em Viana do Castelo, durante um comício do PS, que prevê a participação do secretário-geral do partido, António Costa.
“Será a primeira ação de protesto. Vai envolver muita gente porque não admitimos mais ser tratados desta fora”, disse Augusto Porto, porta-voz destes pescadores que se sentem lesados, adiantando que se nada for feito para resolver o “tratamento desigual” os pescadores avançarão com “uma providência cautelar e com um boicote às eleições legislativas”.
Já o presidente da Câmara de Caminha, Miguel Alves, defendeu que “todos os pescadores devem ser compensados”.
“Ninguém entende um critério que escolhe uns pescadores em detrimento de outros. É uma questão de justiça. Estas 49 embarcações estão a ser objetivamente prejudicadas, passadas para trás e tem exatamente os mesmos direitos do conjunto das outras embarcações que foram compensadas. A Câmara foi sempre contra posições mais radicais, mas depois de semanas sem nenhuma resposta compreendo que os pescadores chegaram ao limite a paciência”, afirmou o autarca socialista.
Miguel Alves adiantou que a autarquia “tem estado em diálogo com os privados, com intermediação do Governo, à espera de uma solução”.
“Esperamos que dentro de dias haja, claramente, um sinal. O Governo pode ajudar a fazer um esforço de mediação, convencendo os privados de que não podemos tratar situações iguais de maneira diferente”, reforçou.
Segundo o autarca, em causa estão 25 embarcações de pesca de Caminha e Vila Praia de Âncora, representadas pelas associações de Pesca Profissional do rio Minho e Mar e de Pescadores Profissionais e Desportivos de Vila Praia de Âncora, e 24 barcos de Castelo de Neiva, no concelho de Viana do Castelo, representados pela Associação de Pescadores Profissionais de Esposende, no distrito de Braga.