Ponte de Lima recebe 1º fórum transfronteiriço concertar estratégia de combate à vespa asiática
01 Junho 2017, 17:15
A definição de uma estratégia conjunta de controlo e erradicação da vespa asiática vai ser discutida, em Ponte de Lima, no primeiro fórum transfronteiriço que vai reunir sexta-feira cerca de 200 especialistas e apicultores do Alto Minho e Galiza.
“Têm sido investidos recursos no controlo e erradicação da vespa asiática e sem sucesso. Está na hora de juntar o conhecimento sobre a praga e homogeneizar a diversidade de meios e técnicas para a combater de forma mais eficaz e eficiente”, afirmou hoje à Lusa, o presidente da Associação Apícola Entre Minho e Lima (APIMIL), Alberto Dias.
A “Vespa velutina no Noroeste Ibérico” é o tema do primeiro fórum transfronteiriço que vai decorrer na sexta-feira, a partir das 09:00, no auditório da Escola Superior Agrária (ESA) de Ponte de Lima.
O encontro é organizado pela Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho, em parceria com o Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) e os apicultores do Alto Minho e da Galiza.
Em 2016, os dez municípios que integram a CIM do Alto Minho lançaram um projeto, orçado em 410 mil euros, para controlo e erradicação da vespa asiática.
Liderado pelo Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), o projeto foi aprovado no âmbito do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (PO SEUR).
A iniciativa envolve “as comunidades intermunicipais da NUT II NORTE e os concelhos adjacentes da NUT II CENTRO, instituições regionais de ensino, investigação e desenvolvimento, a Federação Nacional dos Apicultores de Portugal (FNAP) e a Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV)”.
A propósito do fórum transfronteiriço que decorre, na sexta-feira, em Ponte de Lima, o presidente da APIMIL realçou que desde 2011, ano em que foram identificados os primeiros indícios da presença daquela espécie invasora em Portugal que a situação “não só se agravou como alastrou as outras regiões do país e da vizinha Galiza”.
A vespa asiática foi introduzida na Europa através do porto de Bordéus, em França, em 2004. No Alto Minho, Viana do Castelo é o concelho com maior número de casos.
“Têm sido destruídas muitas colmeias e há muitos apicultores amadores que desistem porque não conseguem aguentar os prejuízos, causando grave impacto na biodiversidade”, sustentou.
Dados da APIMIL indicam que cada ninho a pode albergar até duas mil vespas velutinas, como são também conhecidas, e 150 fundadoras de novas colónias, que no ano seguinte poderão vir a criar pelo menos seis novos ninhos.
Segundo os apicultores, esta espécie, “mais agressiva”, faz com que as abelhas não saiam para procurar alimento por estarem sob ataque, enfraquecendo as colmeias, que acabam por morrer, colocando em causa a produção de mel.
Alberto Dias avançou que, “em média, por ano, uma colmeia produz entre 22 a 25 quilos de mel”, número que, em 2016, se ficou pelos sete a oito quilos”.
“O ano de 2016 foi para esquecer. Cerca de 25% da quebra na produção foi causada pela vespa asiática. O restante [foi causado] pelos incêndios florestais e pelas alterações climáticas”, referiu.
O fórum – que irá decorrer durante todo o dia de sexta-feira – integra três painéis temáticos sobre o “Estado de arte e conhecimento científico e técnico”, “Técnicas, métodos e desafios de combate” e “Instrumentos de Planeamento e apoio às estratégias de combate”.
O primeiro fórum transfronteiriço pretende “contribuir para reforçar a articulação entre as entidades intervenientes nesta temática, quer através da melhoria das estratégias de combate, quer da monitorização e acompanhamento dos resultados obtidos”.
Foto:Esquerda.net





















