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Principal arguido em caso de tráfico de 20 toneladas de droga remete-se ao silêncio

Rádio Alto Minho

15 Maio 2017, 14:54

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O homem de 61 anos, natural  de Caminha e desde 1989 também com nacionalidade espanhola, principal arguido num caso de tráfico de 20 toneladas de haxixe remeteu-se, por enquanto, ao silêncio mas o mestre do barco que transportava a droga argumentou hoje, no tribunal de Viana do Castelo, desconhecer o negócio.

“Confiei porque estava há muito tempo desempregado. Vi isto como um furo e facilitei para causar boa impressão e agarrar o trabalho”, afirmou o arguido ao coletivo de juízes que preside ao julgamento.

A apreensão da droga, transportada no interior de um pesqueiro português no mar Mediterrâneo, em águas internacionais, a 28 milhas do Cabo de Gata (junto de Almeria, Espanha), ocorreu em novembro de 2014, no âmbito da operação “Adiada” e resultou de uma investigação de combate ao tráfico internacional de haxixe tutelada pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), que decorria há vários meses.

O caso chega à barra dos tribunais por decisão do juiz de instrução Carlos Alexandre que, num documento com 287 páginas, confirma a acusação do Ministério Público (MP).

Hoje, compareceram em tribunal oito dos 11 arguidos no processo, sendo que dois não foram notificados por vão responder processo separado e outro autorizou o julgamento na ausência por se encontrar na Guiné Bissau e “não ter possibilidades económicas para se deslocar a Portugal”.

Dos oito arguidos presentes no tribunal, cinco encontram-se em prisão domiciliária e dois em prisão preventiva, sendo um deles o principal suspeito neste caso.

O homem de 61 anos, natural do concelho de Caminha e desde 1989 também com nacionalidade espanhola, é acusado e pronunciado, pela prática, em coautoria material e em concurso real, de um crime de tráfico de estupefacientes agravado, de um crime de associação criminosa, e ainda, em autoria material de um crime de branqueamento, um crime de falsificação, e um crime de incêndio.

Hoje, o mestre da embarcação que transportava a droga, o único que quis falar ao tribunal, disse que foi convidado por um amigo para vir trabalhar como mestre auxiliar num navio que se dedicava à pesca do espadarte e que pertencia ao principal suspeito neste caso.

O arguido, que pediu para falar ao tribunal sem os restantes acusados presentes na sala de audiência, solicitação atendida pelo MP por considerar o seu testemunho “indispensável para a descoberta da verdade”, referiu ter sido confrontado com a transação de droga, já no decurso da mesma, quando supunha estar a conduzir um barco, adquirido pelo principal arguido, até ao porto de Cartagena (Espanha), onde seria reparado.

“Dois dias depois de o barco [registado em Viana do Castelo] ter saído do porto de Vigo (Galiza), a 56 milhas a oeste do porto de Lisboa foi-me dito que o destino não era Cartagena mas Marrocos para um carregamento de haxixe, em alto mar, para levar a 800 milhas a sul dos Açores”, sustentou.

Argumentou que a partir daquele momento se sentiu “vigiado, com medo e coagido a fazer o que lhe mandavam”, apercebendo-se que se tratava de “gente perigosa” que possuía “armas nos camarotes”.

Acrescentou que durante o carregamento dos “793 fardos de droga”, que demorou cerca de duas horas e meia, manteve-se na ponte de comando da embarcação e que quando aquela foi intercetada pelas autoridades pelas autoridades espanholas a pedido da Polícia Judiciária (PJ), o principal arguido no processo “mandou deitar fogo ao barco”.

A droga apreendida, com um valor de mercado superior a 31 milhões de euros, tinha como destino o norte da Líbia.

O arguido, que em sede de instrução se manteve em silêncio, foi detido em fevereiro de 2015, em Marrocos, em cumprimento de um mandado de detenção internacional, tendo sido, depois, extraditado para Portugal onde está preso preventivamente desde o dezembro desse ano, no estabelecimento prisional da PJ de Lisboa.

No final da sessão da manhã e questionado pelos jornalistas, o advogado do principal arguido manifestou a “expetativa” da absolvição por considerar que o seu constituinte “não participou nos factos pelos quais se encontra pronunciado”.

Jorge Gabriel Martins adiantou que o seu constituinte irá depor “na altura que entendermos a mais indicada, até porque é o primeiro interessado em querer esclarecer todos os factos pelos quais se encontra pronunciado”.

O julgamento continua até dia 19, tendo sido agendadas para a semana de 05 a 09 de junho as alegações finais.

 

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