Promoção de Alvarinho com origem em Monção e Melgaço com 3 milhões de euros nos próximos 6 anos
21 Outubro 2016, 22:45
Os municípios de Monção e Melgaço vão ser promovidos, a partir da próxima semana, como origem do Alvarinho português numa campanha orçada em três milhões de euros durante seis anos, anunciou hoje o presidente da Comissão dos Vinhos Verdes.
“Este ano a campanha será feita só no mercado nacional com um orçamento de 100 mil euros mas durante os próximos seis anos vamos investir três milhões de euros nesta promoção. Nos dois primeiros anos apostaremos no mercado português e depois em mercados de exportação, selecionados”, afirmou o presidente Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), Manuel Pinheiro.
Aquele responsável, que falava à margem da apresentação da campanha “Monção e Melgaço. A origem do Alvarinho”, explicou que “os mercados dos Estados Unidos da América e da Alemanha são muitos importantes” nesta estratégia por “já existirem alguns vinhos desta região e onde passarão a existir mais”.
O Plano de Promoção da Sub-região de Monção e Melgaço, apresentado esta sexta-feira numa unidade hoteleira de Monção, surge na sequência da publicação da portaria 152/2015 que veio regulamentar o alargamento da produção de Alvarinho aos 47 concelhos que integram a Região dos Vinhos Verdes (RVV).
Aquela legislação resultou de um acordo alcançado em janeiro de 2015 pelo Grupo Trabalho do Alvarinho (GTA), constituído pelo anterior governo PSD-CDS e liderado CVRVV, para negociar a denominação daquele vinho, cuja exclusividade de produção era detida por aquela sub-região desde 1908.
Os produtores de Monção, concelho com cerca de 900 hectares de terrenos dedicados exclusivamente à produção de vinho Alvarinho, aceitaram o acordo. Já os 600 produtores de Melgaço, acionistas da empresa “Quintas de Melgaço”, cuja maioria do capital é detido pela autarquia local, contestam o alargamento da produção por considerarem que “prejudica” a sub-região.
Manuel Pinheiro afirmou que “há produtores de Melgaço incluídos nesta campanha de promoção mas a empresa Quintas de Melgaço integrou o projeto”.
O responsável considerou que o acordo alcançado foi a “melhor solução” por um lado, “porque a Região dos Vinhos Verdes (RVV) abriu a produção de Alvarinho a toda a região mas em contrapartida há uma campanha, esta que hoje aqui se indicia e que visa criar no mercado nacional a marca Monção e Melgaço como uma marca ligada a vinhos de qualidade”.
“O Alvarinho é hoje plantado e produzido em todo o país. Porém, o que nos estamos hoje aqui a fazer é a demonstração de que os Alvarinhos de Monção e Melgaço primam pela qualidade, e pela personalidade. São vinhos únicos, no mundo, por causa do microclima próprio, da casta e do solo desta região”, sustentou.
O presidente da Associação de Produtores de Alvarinho (APA), Miguel Queimado considerou que o arranque da campanha de promoção representa “um ponto de viragem na sub-região que vê materializada a alteração do paradigma, passando a ter uma marca própria”
“ A sub-região demarcar-se como a origem dos Alvarinhos portugueses e, em paralelo, continua o trabalho que dos últimos 60 anos, liderando o segmento Premium”, referiu.
Para Miguel Queimado este plano de promoção faz a sub-região “ascende a um patamar próprio, com selo de garantia próprio, diferenciador só acessível às grandes regiões vitivinícolas internacionais”.
Revelou que este ano a produção de uva atingiu os oito milhões de quilos de uva”, o que se traduzirá em “cinco milhões de litros de Alvarinho, uma quebra de cerca de 10% em relação à colheita do ano passado”.
“Será um bom ano de Alvarinho para que as pessoas vejam a genuinidade de uma região e a relação umbilical de uma casta com a região”, frisou.
A APA representa 60% dos agentes económicos daquela sub-região demarcada centenária, que, no seu todo, corresponde a 80% do volume de negócios desta atividade, estimada em cerca de 25 milhões de euros.






















