PSD de Viana acusa Câmara de “analfabetismo cultural” por não travar desativação da fábrica de louça
11 Maio 2016, 14:30
A comissão política concelhia do PSD de Viana do Castelo acusou Câmara socialista de nada ter feito para impedir a desativação da fábrica da “Louça Regional de Viana”, desde 2012 com a produção suspensa.
“Não se trata de incapacidade ou falta de recursos para resolver esta questão. Tratou-se, isso sim, de analfabetismo cultural e pior ainda, inabilidade politica, de resto características com que se tem pautado a gestão deste município nas questões deveras importantes para a cidade”, afirmou hoje, em comunicado, aquela estrutura partidária.
A comissão política concelhia do PSD afirmou ter tomado conhecimento de que a fábrica, situada na freguesia de Meadela, “está a ser desmantelada e todo o equipamento industrial retirado”.
Com 242 anos, a fábrica “Louça Regional de Viana” não produz há seis anos, mantendo somente uma loja para escoar ‘stock’ e um museu com o espólio de que dispõe.
“Termina desta forma inglória aquela que foi uma unidade industrial de referência nacional e particularmente um ‘ex líbris’ da cidade de Viana”, sustentou o PSD local que acusou o executivo socialista de não ter dado, “particularmente nos últimos 15 anos, o apoio e o conforto que a autarquia de Viana estava obrigada a proporcionar”.
A RAM contactou o autarca José Maria Costa que se escusou a responder às críticas dos sociais-democratas.
Para o PSD, “a perda da unidade industrial, em circunstância alguma será compensada, pela instalação no concelho de uma qualquer outra unidade por mais tecnologia que desenvolva”.
“Toda a cerâmica Vianense representada pela louça regional de Viana, morreu, colocando-se assim onto final a uma indústria que no concelho empregou cerca de 700 trabalhadores. Viana continua a perder o que de mais valioso tem, permanecendo no caminho inexorável de uma pobreza que não só é, de facto, material, mas que se revela para além disso numa diminuição de valores culturais e identitários, que nunca mais se recuperarão”, lê-se naquela nota.
Produzida em porcelana, aquela louça distingue-se por ser totalmente pintada à mão e cozida a uma temperatura de 1400º, que lhe dá uma resistência que outras não possuem.
Nos últimos anos de laboração adotou a denominação de “Louça Regional de Viana”, produzindo peças não só decorativas mas também utilitárias onde se destacam os motivos florais.
Foi no Cais Novo, em Darque, que a fábrica foi fundada em 1774. A sua expansão e desenvolvimento ficou a dever-se aos benefícios consagrados no Alvará Régio de 7 de Novembro de 1770 e à proximidade de Alvarães, de onde lhe vinha uma ótima argila constituída por caulino quase puro.
A partir de 1947 a fábrica passa a desenvolver o seu trabalho artístico na Meadela.
Em 1999 foi distinguida pela Câmara Municipal com o título de Instituição de Mérito da cidade pela “nobreza do seu passado e por constituir um “valioso património cultural do município”.
Em Outubro desse mesmo ano, e após uns meses de negociações, foi adquirida pela família Adelino Duarte da Mota, sendo actualmente gerida por José Manuel Cardoso Mota.
Chegou ainda pertencer ao grupo Jerónimo Pereira Campos de Aveiro, passou em 1971 para as mãos do então Banco Pinto de Magalhães, tendo mantido o nome original.
Desde então, com as sucessivas mudanças de nome do banco proprietário (União de Bancos Portugueses, Banco Mello, este último adquirido pelo Banco Comercial Português (BCP)) atravessou dificuldades nessa ultima década.





















