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Queimas e queimadas responsáveis por “um terço” dos fogos de 2019

Andrea Cruz

21 Outubro 2019, 19:39

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O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) aponta as queimas e queimadas como a causa de um terço dos incêndios florestais registados este ano. De acordo com o último relatório do ICNF, que investigou os fogos ocorridos entre 01 de janeiro e 15 de outubro, as causas mais frequentes em 2019 são o “incendiarismo – imputáveis” (29%) e “queimadas de sobrantes florestais ou agrícolas (16%), representando, conjuntamente, as várias tipologias de queimadas e queimas 33% das causas apuradas.

O ICNF precisa também que os reacendimentos representam 10% do total de causas apuradas, num valor inferior face à média dos 10 anos anteriores.

Segundo aquele organismo, foram investigados até 15 de outubro 80% dos incêndios rurais, permitindo a investigação atribuir uma causa a 65% dos fogos.

O relatório dá conta que se registaram, entre 01 de janeiro e 15 de outubro de 2019, 10.841 incêndios rurais, que resultaram em 41.622 hectares (ha) de área ardida, entre povoamentos (21.163 ha), matos (15.782 ha) e área agrícola (4.677 ha).

Os dados mostram que o número de incêndios e a área ardida em Portugal baixou este ano pelo segundo ano consecutivo, sendo a “primeira vez” que tal acontece desde 2009.

O ICNF destaca também que setembro foi o mês com o maior número de incêndios rurais (2.344), correspondendo a 22% do número total registado este ano.

Julho foi o mês que registou a maior área ardida este ano, com 14.034 hectares (34% do total de área ardida deste ano).

De acordo com o ICNF, 85% dos fogos que deflagraram até 15 de outubro uma área ardida inferior a um hectare, tendo, até essa data, ocorrido dois incêndios com uma área ardida superior ou igual a 1.000 hectares.

O ICNF sublinha que se registaram, até 15 de outubro, 62 “grandes incêndios”, sendo esta designação dada aos fogos com uma aérea ardida igual ou superior a 100 hectares.

O ICNF indica ainda que o maior número de incêndios ocorreu nos distritos do Porto (1.843), Aveiro (924) e Braga (912), mas na sua maioria foram de reduzida dimensão e não ultrapassam um hectare de área ardida.

Em área ardida, o distrito mais afetado foi Santarém, com 6.711 hectares, cerca de 16% da área total ardida até à data, seguido de Castelo Branco com 6.391 hectares (16% do total) e de Vila Real com 3.243 hectares (8% do total).

O relatório provisório faz também uma análise de severidade meteorológica (conjugação de temperaturas, vento, ausência de chuva e humidade), concluindo que a área ardida no ano de 2019 “é consideravelmente inferior à expectável” tendo em conta a severidade meteorológica verificada.

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