Renováveis oceânicas geram 186 milhões de investimento em Viana
09 Dezembro 2020, 8:33
Um núcleo de novas empresas na área das energias renováveis oceânicas, está a emergir em Viana do Castelo, com investimentos que atingem cerca de 186 milhões de euros.
De acordo com o Jornal de Notícias, atualmente, estão em curso grandes projetos ligados ao aproveitamento em meio aquático da energia do vento, das ondas e do sol. Em vias de desenvolvimento o primeiro centro europeu de teste de robôs marítimos em ambiente real. O Presidente da Câmara, José Maria Costa considera que Viana está, nesta altura já, perante “um verdadeiro cluster das energias renováveis oceânicas com aquilo que se conhece de melhor, com a melhor investigação e o melhor desenvolvimento”. “Estamos a falar de um volume de investimento de perto de 200 milhões de euros nas renováveis”, afirma.
Na linha da frente segue o projeto Windfloat Atlantic, pertencente ao consórcio Windplus, constituído pela EDP Renováveis, a Engie, a Repsol e a Principle Power. E que representa um investimento global de 125 milhões de euros. Iniciou em julho a sua atividade plena, com a instalação de três torres eólicas ao largo de Viana do Castelo (a 20 quilómetros da costa).
“O parque eólico flutuante está ligado à rede nacional de energia desde o final do ano passado e está em pleno funcionamento desde julho. Nos últimos quatro meses, produziu energia limpa sempre que as condições de vento assim o permitiram, tendo mesmo atingido em outubro uma taxa de produção de 45%, acima do esperado”, declarou fonte do consórcio Windplus, referindo que o Windfloat Atlantic tem “uma capacidade instalada de 25MW e consegue produzir por ano o equivalente a abastecer com energia limpa 60 mil casas”. A mesma fonte refere que aquele que considera ser “o primeiro flutuante da costa da Europa continental”, criou 15 postos de trabalho diretos e um polo de apoio, no porto de mar de Viana do Castelo. “O parque tem um forte compromisso com a economia local, recorrendo à mesma sempre que necessário”, afirmou a mesma fonte.
Também instalada na zona do porto de mar de Viana, está a empresa sueca CorPower Ocean, que está a desenvolver um projeto ambicioso de aproveitamento da energia das ondas do mar. O objetivo, segundo Miguel Silva, que lidera as operações da CorPower Ocean em Portugal, é “ser a primeira empresa da energia das ondas a, com sucesso, certificar o produto e comercializá-lo”. “Até hoje ninguém conseguiu, de forma massiva, fazer isso”, garantiu.
Em Viana, trabalha-se nesta altura para “demonstrar que é possível produzir e comercializar” aquele tipo de energia.
O projeto de demonstração, iniciado em 2012 e conclusão em 2024, com a comercialização dos primeiros conversores de energia das ondas, envolve um investimento global de 52 milhões de euros.
Num edifício em construção na área do porto de mar, vai ser criado um primeiro equipamento à escala real, que começará a ser testado no verão ao largo da Póvoa de Varzim, na praia da Aguçadoura. Até 2022, serão construídos mais três equipamentos de teste.
A Autoridade Portuária aprovou também, recentemente, um projeto piloto de energia fotovoltaica flutuante, que prevê a instalação de três ilhas de produção de energia solar no rio Lima. O empreendimento é promovido pela Solarisfloat, empresa do setor das energias renováveis do grupo português JP, e, segundo o promotor, envolve um investimento de cerca de 300 mil euros.
E o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores (INESC) centralizou em Viana do Castelo um projeto de investigação europeu, que pretende testar a utilização da robótica na monitorização e reparação de infraestruturas, plataformas e equipamentos flutuantes em espaço marítimo. O projeto chama-se “Atlantis Test Center’” e vai ser o primeiro centro europeu de teste de robôs marítimos em ambiente real. Representa um investimento de 8,5 milhões de euros.




















