Romaria de S. João d’Arga: milhares pedem ao santo casamento e cura para quistos e verrugas
24 Agosto 2016, 19:10
Pedir cura ao santo para quistos e verrugas, arranjar casamento, ouvir concertinas ou simplesmente beber “chiripiti” levam, na noite do próximo domingo para segunda-feira, milhares de pessoas à Serra d’Arga, para a romaria de São João.
Considerada uma das mais típicas em Portugal, esta festa interrompe por completo a pacatez e a tranquilidade de Arga São João, uma pequena aldeia situada na serra habitada sobretudo por idosos.
Isolado em plena serra de Arga, o mosteiro de São João d’Arga data do século XII e, segundo a classificação do Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico (Igespar), é “um dos mais importantes testemunhos medievais da região, não obstante a sua pequenez e simplicidade”.
A capela que integra o mosteiro terá sido construída no século XIII, pertencendo ao “românico tardio”, e é “simples e decorativamente despojada”.
A 800 metros de altitude, os romeiros pedem todos os anos a São João cura para quistos, verrugas, doenças de pele e infertilidade, ou mesmo uma ‘ajudinha’ para arranjarem casamento.
Outros procuram a festa pelo característico som de mais de uma centena de tocadores de concertina e cantadores ao desafio que se fazem ouvir em animadas rusgas até altas horas da madrugada.
Alguns romeiros mantêm ainda viva a tradição de ir a pé até ao mosteiro, num percurso que envolve mais de duas dezenas de quilómetros desde o núcleo urbano mais próximo.
“Os romeiros quando chegam à capela entram e dão a esmola ao santo e depois vão dar ao diabo [representado por um dragão], que figura numa estátua debaixo da pata do cavalo de S. Miguel, para estarem de bem com ele. É uma coisa muito peculiar, que nunca vi em lado nenhum”, afirmou Paulo Dias.
Padre em seis paróquias daquele concelho do Alto Minho, entre elas, Arga de São João, Arga de Cima e Arga de Baixo, Paulo Dias adiantou que este ano, a romaria “vai viver em pleno as condições criadas as obras de beneficiação do mosteiro e de toda a envolvente, concluídas em 2015”, orçadas em mais de meio milhão de euros.
Ouvir concertinas ou simplesmente beber “chiripiti”, uma mistura de mel, produzido naquela serra, com aguardente “para espantar o frio”, são também motivos que levam milhares à romaria.
Os enchidos, e o arroz doce, “que não há igual em mais lado nenhum”, ajudam a matar a fome numa noite longa, e “muito importante para a economia da aldeia”, onde “residem sobretudo idosos”.
A romaria em honra de São João d’Arga começa no dia 28 com a primeira missa às 10:30. Às 16:00 realiza-se a missa da festa, seguida de sermão e da procissão que dá início aos festejos.
No dia 29 realizam-se mais duas eucaristias, às 09:00 e às 10:30, a procissão, a que se seguem piqueniques realizados na envolvente do mosteiro e animados pelas concertinas e cantadores ao desafio.
Foto:viverviana.pt





















