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UMA QUESTÃO DE AUTORIDADE

César Brito

14 Junho 2021, 9:00

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A autoridade é um conceito implícito na nossa vida em sociedade nos seus diferentes planos. Na verdade, é ela que sustenta qualquer hierarquia e regula o equilíbrio das relações sociais. Ainda que nem pensemos nisso, todos nós, desde crianças, reconhecemos a existência de autoridade noutros indivíduos são longo da vida. É assim com os pais em família, com os professores na escola, com os chefes e directores no trabalho, com os padres nas comunidades religiosas, com juízes nos tribunais, com polícias no trânsito, etc.

UMA QUESTÃO DE AUTORIDADE

Mesmo que não concordemos ou não nos agradem as decisões que, sobre nós próprios, alguma entidade com autoridade profere, certo é que só nos resta cumprir obedientemente. Assim somos educados e formatados desde pequenos e assim se mantém a organização e a paz social.

Os detentores de autoridade, por seu lado, têm de reunir um conjunto de condições e valores para que o poder que aquela lhe confere seja aceite de forma pacífica e o seu exercício seja eficaz. As suas acções e decisões, mesmo que não as compreendamos inteiramente, devem no mínimo gerar a sensação que foram tomadas com razão, justiça e conhecimento profundo de causa e transmitidas com ponderação e bom senso. É fundamental que os seus destinatários interiorizem que, na essência, haverá argumentos que não sabem, não compreendem ou que há um interesse colectivo que se sobrepõe aos interesses particulares que lhes dão substância. Com excepção da autoridade imposta pela força, é a existência e reconhecimento destes pressupostos que confere legitimidade à autoridade.

Num plano mais amplo, do governo para os seus concidadãos, os princípios são, à escala, os mesmos. Chamamos vulgarmente a isso autoridade do estado. Os titulares dos cargos de autoridade devem, por isso, agir com os predicados enunciados e comunicar com os requisitos expostos. Os leitores mais atentos terão adivinhado já a que situação concreta me estou a referir: o ministro da administração interna, Eduardo Cabrita.

Em pouco tempo, acumulou um conjunto de trapalhadas assinalável. Desde as golas antifumo inflamáveis até à proposta de encarcerar em Caxias imigrantes ilegais, passando pelas festas comemorativas dos campeonatos de futebol, pela entrada policial à força de madrugada em propriedade privada, pelo braço-de-ferro com os bombeiros, pela falha e indefinição do SIRESP ou pela morte de Ihor Humenyuk e consequente desmantelamento do SEF, em maior ou menor grau, parece claro que razoabilidade é coisa que vai faltando em muitas destas polémicas. Por acréscimo, a voz grossa e estilo truculento com que, tipicamente, o ministro contra-ataca em vez de responder, cada vez que é confrontado por jornalistas ou deputados, também não transmitem uma imagem ponderada e segura. Sendo “ministro das polícias” em tempos de restrições às liberdades individuais em nome do superior bem da saúde pública, o caso ganha ainda maior acuidade. Dir-me-ão que o senhor tem azar e nem tudo é culpa directa dele. Pois, mas faz parte das regras do jogo político e beliscando ou perdendo-se a autoridade para o exercício de funções de nada serve lá ficar ainda que se tenha a maior dedicação e empenho. No seu tempo, Leonor Beleza, de forma lenta, por causa do sangue contaminado ou Jorge Coelho, de forma imediata, em virtude da queda da Ponte Hintze Ribeiro, perceberam isso com grande clareza.

O que legitima então a manutenção da sua autoridade e a continuidade em funções? O simples facto de o primeiro-ministro o permitir. O drama é que, perante o esvair de autoridade própria, passa a autoridade do primeiro-ministro a ser despendida para cobrir o dano. Resta saber até quando.

 

César Brito

Por opção pessoal o autor escreve segundo a antiga ortografia

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