Valença e Tui voltam a cumprir tradição pascal do “Lanço da Cruz”
13 Abril 2017, 9:13
Os padres das aldeias de Cristelo Côvo, em Valença, e de Sobrado, em Tui, na Galiza, vão cruzar o rio Minho de barco, no dia 17, para cumprir a tradição do “Lanço da Cruz”.
Aquele ritual é um dos pontos altos dos festejos em honra de Nossa Senhora da Cabeça – que decorrem naquela localidade do Alto Minho -, e que juntam milhares de peregrinos dos dois países durante o período da Páscoa.
Para a Câmara Municipal de Valença, no distrito de Viana do Castelo, trata-se de “um símbolo do bom relacionamento transfronteiriço”. A travessia do compasso pascal cumpre-se sempre às 17:00, depois de o pároco português dar a cruz a beijar na paróquia de Cristelo Côvo.
O padre, “devidamente paramentado e com uma cruz ornamentada, entra num barco de pesca e dirige-se até à margem espanhola onde dá a cruz a beijar aos paroquianos da outra margem”.
A tradição “perde-se nos tempos” e pouco tem mudado, mandando que, “a meio do rio, se lancem as redes para apanhar peixe”, enquanto “estouram foguetes e se ouve o ribombar dos grupos de bombos”, contou.
Mais recente é visita do pároco de Sobrado, na Galiza, a Cristelo Côvo, que acontece desde meados dos anos 90 do século passado.
Manda a tradição, “popular e religiosa”, que o rio se encha de pequenas embarcações e, durante o tempo em que a cruz é dada a beijar, os pescadores locais lancem as redes, devidamente benzidas. Mas o produto da pescaria já não reverte para o pároco de Cristelo Côvo, como antigamente.
“Até à noite, os sons das gaitas de foles misturam-se com os das concertinas, das castanholas, o rufar dos bombos e tambores numa autêntica romaria galaico-minhota”, sublinha a Câmara de Valença.
Do programa da festa, merece ainda referência, terça-feira, a missa para os peregrinos galegos, celebrada em galego pelo pároco de Sobrado, às 10:00, na Capela de Nossa Senhora da Cabeça, a que se segue, uma hora mais tarde, outra missa, mas desta vez em português.
Os peregrinos comem, depois, as suas merendas nas sombras do parque de Nossa Senhora da Cabeça, mandando a tradição que o farnel seja constituído sobretudo pelo que sobrou do carneiro da Páscoa.
“A tradição do Lanço da Cruz é uma manifestação religiosa e popular muito acarinhada pelas populações da raia minhota e que, ano após ano, atrai um maior número de pessoas e turistas”, sustenta a autarquia.





















