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Vice-presidente diz que orçamento de Ponte da Barca foi decidido “unilateralmente” pelo presidente

Rádio Alto Minho

02 Novembro 2018, 15:21

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Maria José Gonçalves, vice-presidente da Câmara de Ponte da Barca absteve-se na votação do orçamento para 2019 por “não ter sido envolvida” na sua elaboração que, garantiu, foi decidida “unilateralmente” pelo presidente da autarquia, Augusto Marinho.

“Não se verificou o envolvimento desejável e necessário de todo o executivo para a elaboração de um documento estratégico desta natureza, daí que, não tendo estado envolvida não pude opinar, não pude dar conta das minhas opções e ideias. Faltou o espírito colaborativo e a partilha de propostas. As Grandes Opções do Plano e Orçamento foram tomadas, unilateralmente, pelo senhor presidente da Câmara”, disse a vice-presidente.

O orçamento para 2019 da maioria PSD, em Ponte da Barca, no valor de mais de 21 milhões de euros foi viabilizado, na quarta-feira, em reunião camarária, por um dos três vereadores da oposição socialista.

Dos quatro elementos que compõem a maioria social-democrata naquele município do Alto Minho, apenas o presidente e um vereador votaram favoravelmente. Além da abstenção de Maria José Gonçalves um outro vereador não marcou presença por se encontrar em gozo de férias.

A vice-presidente do executivo diz não se “rever” no documento, no valor superior a 21 milhões de euros, por “não refletir as orientações políticas de todo um executivo, mas fundamentalmente o querer do presidente da Câmara”.

Apesar das tentativas não foi ainda possível  ouvir o presidente a Câmara de Ponte da Barca, Augusto Marinho.

Também não foi possível ouvir o vereador do PS que votou favoravelmente o documento. Inocêncio Araújo, funcionário da autarquia foi o cabeça de lista do PS às últimas eleições autárquicas e perdeu o município para o PSD.

Em comunicado, a Câmara de Ponte da Barca sublinhou, que o “ano de 2019 será um período de transformação determinante para o concelho, com o início da implementação de duas zonas empresariais no concelho e que irão dar resposta a uma necessidade já antiga do território”.

Maria José Gonçalves admite que a aposta “reflete uma promessa eleitoral”, mas considera que a “economia não se esgota na indústria” e que “a aposta noutros sectores, como a agricultura, turismo e comércio não está suficientemente acautelada”.

A vice-presidente referiu ainda que “não estão, objetivamente, acauteladas respostas a problemas prementes do concelho”, como é o caso das soluções sociais.

“Num município com fragilidades de monta nesta área era necessário que essas soluções estivessem acauteladas e esplanadas neste documento”, frisou.

Disse esperar que sua atitude seja encarada de “uma forma construtiva, no sentido de haver mais planeamento, mais articulação e de que, no futuro, as decisões sejam partilhadas, debatidas e que cada um dos elementos do executivo possam dar o seu contributo”.

Maria José Gonçalves afirmou assumir “os riscos políticos” resultantes desta posição, acrescentando que “as pessoas não estão muito habituadas a esta frontalidade e a esta transparência”.

“Hoje, mais do que nunca, é preciso credibilizar a política e os políticos”, adiantou, garantindo que não equaciona apresentar a demissão e que tenciona “cumprir até ao último dia o compromisso que assumiu com a população do concelho”.

Disse que após a votação do orçamento para 2019, “ainda não teve a oportunidade de trocar impressões com o presidente da Câmara” e que Augusto Marinho “terá toda a legitimidade para fazer o que achar por bem”.

“Da minha parte estou muito certa, segura daquilo que quero e do que farei. Até ao último dia do mandato irei defender os superiores interesses do meu concelho e da população que votou num projeto que foi sufragado maioritariamente”, reforçou.

Os dois vereadores do PS que votaram contra o orçamento para 2019, lamentaram que o documento, “extenso e de importância vital para o concelho, só tenham sido disponibilizados com um dia de antecedência sobre a data da sua discussão” e acrescentam que o documento “denota uma falta de ambição preocupante e não mais é do que um orçamento de gestão corrente”.

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