Visitas ao navio museu Gil Eannes aumentam 30% em 2017
02 Janeiro 2018, 14:10
O navio-museu Gil Eannes, atracado na antiga doca comercial de Viana do Castelo recebeu, em 2017, 85 mil visitantes, um aumento de 30% relativamente a 2016, segundo os dados divulgados na página na Internet da fundação Gil Eannes. Os 85 mil visitantes registados em 2017 representam o “dobro” dos contabilizados em 2015.
Os números, que “têm como referência as visitas efetivamente pagas”, foram divulgados em assembleia de fundadores, no passado dia 28 de dezembro, que aprovou ainda, por unanimidade, o plano de atividades para 2018.
“O plano para 2018 reflete o crescimento que se está a conseguir alcançar, fruto dos elevados investimentos que se têm permanentemente realizado, em várias áreas, com forte incidência na manutenção e na recuperação de alguns dos espaços do navio”, lê-se na nota publicada na página oficial da fundação Gil Eannes.
O navio foi construído em 1955 nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC). No dia 31 de janeiro completam-se 20 anos desde que foi resgatado da sucata e transformado em museu.
O programa comemorativo inclui a inauguração da exposição “Navios construídos em Viana do Castelo para a pesca do bacalhau”.
Já em fevereiro, no dia 03, será lançado o livro “Os navios da pesca à linha” do canadiano Jean Pierre Andrieux, “o proprietário do maior espólio fotográfico mundial sobre navios e pescadores portugueses nos mares da Terra Nova e Gronelândia”.
Ainda em fevereiro será aberta ao publico a mostra “Uma viagem no tempo”, constituída “por dezenas de peças originais dos antigos lugres veleiros e arrastões bacalhoeiros, pertença do antigo pescador Manuel Bola e, outras, propriedade do próprio museu”.
A mostra integra “um catálogo detalhado e minucioso com a explicação das características de cada uma das peças e sua função como equipamento, instrumento ou palamenta do navio, num levantamento efetuado pelo capitão João David Marques”.
A fundação vai ainda editar dois livros. “A pesca do bacalhau – história, gentes e navios” do capitão João David Marques. A obra é constituída por três volumes, com cerca de 900 páginas.
O livro “Atlas das Embarcações Tradicionais Portuguesas”, de Carlos Carvalho será a segunda obra a lançar pela fundação. Os dois volumes e as cerca de 600 páginas incluem “centenas de maquetas e plantas realizadas ao pormenor e a três dimensões”.
A itinerância, pelas escolas do concelho, da exposição “Heróis que o tempo não apaga – um dia a bordo de um lugre bacalhoeiro“ é outra das apostas da fundação Gil Eannes.
Em setembro de 2017, o navio-museu foi classificado pelo Tripadvisor, o maior site de viagem do mundo, como um dos dez melhores Museus de Portugal tendo ficado em sétimo lugar nos Travelers’ Choice Awards em 2017.
Os Travelers’ Choice Awards são determinados através das avaliações feitas pelos utilizadores do Tripadvisor, em todo o mundo e, durante 12 meses.
O antigo navio hospital foi construído para apoiar a frota bacalhoeira portuguesa nos mares da Terra Nova e Gronelândia.
Também foi navio capitania, navio correio, navio rebocador, garantindo abastecimento de mantimentos, redes, isco e combustível aos navios da pesca do bacalhau.
Desde 2016, o percurso de visita passou a integrar o bloco operatório, a sala de esterilização, sala de desinfeção, laboratório de análise, raio-X de emergência e, ainda, duas enfermarias.
Uma reabilitação que contou com o apoio de várias empresas, entre as quais a Douro Azul, os estaleiros da WestSea, subconcessionária dos ENVC, o Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC), a Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM) e a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL).
Considerado um dos navios mais emblemáticos que saíram dos ENVC, o Gil Eannes estava prestes a ser desmantelado quando a sociedade civil local se mobilizou para o resgatar.
O regresso à capital do Alto Minho aconteceu a 31 de janeiro de 1998. Ao longo de vários meses foi recuperado nos ENVC – onde tinha sido construído meio século antes -, e no verão desse ano abriu portas como navio-museu, gerido pela fundação, de iniciativa municipal.
As visitas ao navio consistem na passagem pela ponte de comando, cozinhas, padaria ou pela casa das máquinas, mas também pelo consultório médico, sala de tratamentos, gabinetes de radiologia e bloco operatório.
A bordo existe ainda um simulador que permite navegar, virtualmente, a saída da barra de Viana do Castelo.
Em 2014, abriu portas o Centro de Mar, num investimento de 550 mil euros financiado pelo Programa Operacional Regional do Norte (ON2) 2007-2013, no âmbito do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).
O espaço dispõe, entre outras valências, de equipamentos multimédia, áreas de apoio ao empreendedorismo e economia náutica e permite experiências audiovisuais interativas.
O navio foi ainda dotado de um percurso museológico e interpretativo sobre a cultura marítima de Viana do Castelo e de um Centro de Documentação Marítima.





















