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Comunidade de Chafé “indignada” com conduta do atual pároco

Rádio Alto Minho

18 Julho 2025, 15:50

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A Junta de Freguesia de Chafé, concelho de Viana do Castelo, em conjunto com as associações locais, emitiu um comunicado onde expressa "indignação e repúdio" face à conduta do atual pároco Manuel Pinto, acusando-o de atitudes que consideram arrogantes, discriminatórias e prejudiciais à união da comunidade.

Segundo o documento enviado às redações, até à chegada do padre Pinto, “a freguesia era reconhecida pelo seu dinamismo associativo, espírito de entreajuda e forte coesão social”. No entanto, referem que o ambiente comunitário se deteriorou nos últimos tempos, em grande parte devido à postura adotada pelo sacerdote.

Apesar de tentativas iniciais de diálogo e abertura ao entendimento, a Junta e as associações criticam a forma como o pároco tem conduzido os assuntos da paróquia, acusando-o de “prepotência inadmissível num cidadão e, mais ainda, num sacerdote”.

Um dos episódios que gerou contestação ocorreu durante a preparação das Festas em honra de Nossa Senhora dos Milagres e do Alívio. A proposta, acolhida por unanimidade, foi a criação de uma comissão de festas exclusivamente feminina, com apoio logístico de elementos masculinos das associações e da Junta. Contudo, numa reunião realizada na residência paroquial, o Padre Pinto manifestou-se “desagradado e intransigente” quanto à presença de algumas mulheres na comissão, recusando colaborar com qualquer estrutura que as incluísse. Uma atitude que os signatários consideram “contrária aos valores cristãos de inclusão”.

“Com o poder absoluto que assumiu, o pároco passou a administrar os bens e os espaços da freguesia, tradicionalmente ligados à Igreja, conforme a sua vontade pessoal, num estilo de liderança que muitos consideram autoritário. É do conhecimento geral que o lar da freguesia, outrora com um património superior a um milhão de euros, se encontra atualmente em situação de falência. Onde antes os idosos eram tratados com dignidade, hoje há relatos de racionamento de alimentos, cortes na eletricidade e cuidados claramente deficitários”, lê-se ainda na nota.

Reunidos recentemente na Cúria de Viana do Castelo, a Junta de Freguesia e as associações reiteraram a sua vontade de “unir a freguesia” e garantir que prevaleçam os valores do respeito, da verdade e do serviço comunitário.

As instituições locais recordam com apreço o legado do anterior pároco, Padre José Torres, que serviu a comunidade durante 60 anos, e sublinham que o seu objetivo é apenas restaurar a paz, a inclusão e o espírito de serviço comunitário em Chafé.

Contatado pela Rádio Alto Minho, o padre Manuel Pinto salientou que não tem “qualquer responsabilidade sobre as atividades da junta de freguesia e das associações locais”, acusando essas entidades de quererem “interferir na vida paroquial”.

“Coopero dentro daquilo que tem acontecido, mas não tenho qualquer responsabilidade nessas atividades. As acusações serão tratadas nas instâncias próprias”, declarou.

Sobre as alegadas dificuldades financeiras do lar da freguesia, o pároco desmentiu, adiantando que as contas da instituição contaram este ano com um saldo positivo de 19 mil euros.

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