Jogo online rende mais ao Estado: receita fiscal atinge 163,9 milhões de euros nos seis primeiros meses de 2025
14 Outubro 2025, 7:10
O setor de jogos e apostas online em Portugal voltou a reforçar o seu peso na economia nacional. Nos primeiros seis meses de 2025, a arrecadação de impostos associados a esta atividade atingiu 163,9 milhões de euros, um valor que confirma a consolidação do mercado regulado e a sua relevância para as contas públicas.
O resultado reflete o crescimento da procura, mas também os esforços do Estado em estruturar uma regulação eficaz e em enfrentar a concorrência de operadores ilegais.
Receita fiscal em alta e variações trimestrais
No segundo trimestre do ano, a receita fiscal proveniente do jogo online totalizou 81,2 milhões de euros, uma ligeira queda de 1,8% face ao trimestre anterior. Apesar dessa diminuição, o imposto específico sobre o jogo online (IEJO) registou um aumento de 5,8% em comparação com o mesmo período de 2024, evidenciando que a evolução não é uniforme e depende do desempenho dos diferentes segmentos – mas que continuará a ser relevante, especialmente com os bónus sem depósito em Portugal.
As apostas desportivas, por exemplo, registaram uma retração de 8,9% no volume apostado entre abril e junho face aos primeiros três meses do ano. Já os jogos de fortuna ou azar online apresentaram uma trajetória inversa: a receita bruta dos casinos digitais cresceu 12,2% face ao trimestre anterior e 4,7% em comparação com o mesmo período de 2024. Essa diferença demonstra que, enquanto o segmento desportivo atravessa um momento de ajuste, os jogos de casino continuam a conquistar maior procura.
Segmentos que impulsionam o setor
Atualmente, cerca de 62% da atividade de jogo online em Portugal está concentrada nos jogos de fortuna ou azar, incluindo slots, roleta e blackjack, que continuam a ser o motor de crescimento. Já o segmento das apostas desportivas, apesar de vital para o mercado, mostrou alguma volatilidade nos últimos trimestres, refletindo fatores como calendário desportivo, desempenho das equipas e maior concorrência entre operadores.
O total de receitas de jogo online no segundo trimestre de 2025 alcançou 287 milhões de euros, representando uma variação marginal de 0,8% em relação ao trimestre anterior, mas um crescimento mais robusto de 9,6% face ao mesmo período do ano anterior. Estes dados revelam que, embora o setor esteja a crescer, fá-lo a um ritmo mais moderado do que em anos anteriores, sinalizando uma fase de maior maturidade.
Perfil dos jogadores e distribuição regional
O relatório semestral destaca ainda informações sobre o perfil dos jogadores. Os distritos de Lisboa e Porto lideraram em número de registos, com 21,7% e 21,1% respetivamente, seguidos por Braga, Setúbal e Aveiro. Juntos, estes cinco distritos representam quase metade do universo nacional de apostadores.
Do ponto de vista etário, 77,8% dos novos registos pertencem a pessoas com menos de 45 anos, com destaque para a faixa entre os 25 e 34 anos, que representa 33,5% do total. O dados deste segundo trimestre de 2025 registaram 211 mil novas inscrições em plataformas de jogo online, enquanto cerca de 135,5 mil contas foram canceladas, resultando num aumento líquido de 1,6%, com o número de contas ativas a situar-se em 4,86 milhões. Apesar do saldo positivo, o número de novas inscrições caiu 21,8% em relação ao mesmo período de 2024, revelando sinais de desaceleração no ritmo de adesão.
Mecanismos de proteção e autorregulação
Outro ponto de destaque foi o aumento dos mecanismos de autorregulação. Até ao final de junho, existiam 326,4 mil registos de autoexclusão, ou seja, jogadores que decidiram suspender voluntariamente o acesso às plataformas. Este número representa um crescimento de 5,6% em relação ao trimestre anterior e de 27% face ao mesmo período do ano anterior. Apesar disso, o número de novas adesões a este mecanismo caiu 3,5% em relação ao trimestre anterior, o que sugere maior estabilidade na utilização destas ferramentas.
Os dados mostram que a preocupação com o jogo responsável está a ganhar espaço entre operadores e utilizadores, sendo este um elemento central para garantir a sustentabilidade do setor.
Desafios persistentes: operadores ilegais
Apesar do desempenho positivo, o setor enfrenta ainda um desafio significativo: a concorrência de operadores ilegais. Estima-se que cerca de 40% dos jogadores em Portugal ainda apostem em sites não licenciados, o que representa uma perda potencial de receita fiscal para o Estado e um risco acrescido para os consumidores, que ficam expostos à falta de garantias de pagamento, ausência de mecanismos de proteção e maior probabilidade de práticas abusivas.
O combate a este fenómeno é considerado essencial não apenas para reforçar a arrecadação, mas também para consolidar a confiança no mercado regulado.
O peso do jogo online para o Estado
Com 163,9 milhões de euros arrecadados no primeiro semestre, a contribuição do jogo online para o erário público equivale a quase um milhão de euros por dia. Este valor ilustra a importância crescente deste setor para as contas do Estado, aproximando-se de receitas de outros impostos ligados a atividades económicas de grande relevância.
A tendência aponta para que o jogo online continue a ser uma fonte de receita estável e significativa, sobretudo num contexto em que a digitalização se acelera e a procura por entretenimento online se mantém elevada.
O que se pode esperar
O desempenho do jogo online no primeiro semestre de 2025 confirma a consolidação do setor em Portugal como um dos motores da economia digital e fiscal. Embora existam sinais de moderação no crescimento, o segmento dos jogos de fortuna ou azar continua a impulsionar a atividade, compensando a volatilidade das apostas desportivas.
Os desafios, no entanto, permanecem claros: reduzir a presença do mercado ilegal, reforçar os mecanismos de proteção ao jogador e garantir que a regulação continue a ser suficientemente atrativa para manter os operadores dentro do circuito legal.




















