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Antiga estudante do IPVC dirige Faculdade de Engenharia em Moçambique

Rádio Alto Minho

25 Junho 2026, 12:38

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Quando chegou a Viana do Castelo, em 2013, vinha de Moçambique para frequentar o mestrado em Empreendedorismo e Inovação na Indústria Alimentar da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Politécnico de Viana do Castelo. Mais de uma década depois, Cornélia Alberto Gafah é hoje diretora da Faculdade de Engenharia da Universidade Católica de Moçambique, assumindo um percurso que considera profundamente marcado pela experiência académica e humana vivida em Viana do Castelo.

Natural de Moçambique, Cornélia Gafah integrou a Universidade Católica de Moçambique em 2011, como docente do curso de Engenharia Alimentar. Com o objetivo de reforçar a qualificação do corpo docente da instituição, foi selecionada para frequentar o mestrado em Empreendedorismo e Inovação na Indústria Alimentar da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Politécnico de Viana do Castelo, formação que concluiu em 2014.

“A escolha do IPVC não aconteceu por acaso. Procurávamos uma instituição reconhecida pela qualidade do ensino e investigação aplicada”, descreve a antiga estudante do Politécnico

A opção pelo Politécnico de Viana do Castelo surgiu no âmbito da cooperação académica existente entre as duas instituições e da procura de uma formação reconhecida pela sua qualidade e forte componente aplicada. “Procurávamos uma instituição reconhecida pela qualidade do ensino e da investigação aplicada. Além disso, o Politécnico de Viana do Castelo distinguia-se pelo ambiente acolhedor proporcionado aos estudantes internacionais”, recorda.

A docente chegou a Viana do Castelo sem conhecer ninguém. Durante o período em que frequentou o mestrado, ficou alojada na residência dos Serviços de Ação Social, onde encontrou um ambiente que viria a marcar profundamente a sua experiência académica e pessoal.

Os ensinamentos que continuam presentes no dia a dia

Ao recordar o período vivido em Viana do Castelo, Cornélia Gafah destaca a proximidade entre docentes e estudantes, as amizades construídas e o ambiente de colaboração que encontrou na instituição. “Apesar de termos horários definidos para as aulas, as portas dos professores estavam sempre abertas. Havia uma disponibilidade genuína para ouvir, orientar e apoiar os estudantes, criando um ambiente de confiança e respeito mútuo que considero exemplar”, refere.

Entre as várias memórias que guarda desse período, destaca um episódio vivido no seu primeiro Natal longe da família. Permanecendo na residência durante as férias, foi convidada por um colaborador dos Serviços de Ação Social para passar a consoada com a família deste. “Foi uma demonstração de empatia, solidariedade e humanidade, que marcou profundamente a minha experiência em Portugal e que continua viva na minha memória”, descreve a antiga aluna da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do IPVC.

A formação realizada no IPVC permitiu-lhe aprofundar competências científicas e técnicas nas áreas do processamento, conservação e qualidade alimentar, conhecimentos que continua a aplicar na sua atividade académica. Mas o impacto foi além da dimensão profissional. De regresso a Moçambique, levou na bagagem “valores” que, diz, continuam presentes em tudo o que faz. E destaca o rigor, a responsabilidade, o compromisso com a qualidade e a importância de aprender ao longo da vida.

O mestrado concluído em Viana do Castelo foi fundamental para chegar à direção de uma Faculdade de Engenharia

Atualmente diretora da Faculdade de Engenharia da Universidade Católica de Moçambique, Cornélia Gafah considera que as experiências internacionais desempenharam um papel determinante na construção do seu percurso académico e profissional. Estudar em Viana do Castelo permitiu-lhe “sair da zona de conforto, viver num contexto cultural diferente”. Cornélia Gafah pôde, como descreve, “observar diferentes modelos de gestão universitária, formas de organização do trabalho e mecanismos de relacionamento institucional.”

“Quero que elas saibam que o talento não tem género e que os seus sonhos são possíveis.”

Ao longo dos últimos anos tem procurado aplicar princípios de colaboração, partilha de conhecimento e melhoria contínua inspirados nas experiências que viveu em diferentes contextos internacionais, entre os quais o Politécnico de Viana do Castelo.

Para a responsável, a cooperação entre instituições de ensino superior continua a assumir um papel fundamental no desenvolvimento das sociedades e na criação de oportunidades para estudantes, docentes e investigadores.

Mais de uma década depois e mesmo à distância, mantém uma forte ligação ao Politécnico de Viana do Castelo, instituição que considera ter contribuído de forma decisiva para o seu crescimento pessoal e profissional. “Continuar ligada à instituição significa manter vivos os laços construídos ao longo dessa experiência, preservar amizades, fortalecer redes de colaboração e continuar a aprender. Mesmo à distância, sinto-me parte de uma comunidade académica que contribuiu significativamente para a pessoa e profissional que sou hoje”, rematou, não sem antes deixar uma mensagem clara direcionada às jovens estudantes: “Quero que elas saibam que o talento não tem género e que os seus sonhos são possíveis. Se a minha história puder inspirar uma jovem a acreditar mais em si própria, a persistir nos seus estudos ou a seguir uma carreira científica, então sentirei que parte do meu propósito foi cumprida”, finalizou.

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