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Ex – trabalhadores dos ENVC voltam a palco para tributo a navio que construíram

Rádio Alto Minho

20 Outubro 2015, 21:53

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Depois de terem corpo a uma peça em memória dos estaleiros de Viana do Castelo, um grupo de ex-trabalhadores da empresa, agora em fase de extinção, preparam-se para apresentar uma nova produção, desta feita, um tributo uma das primeiras construções.

Segundo o diretor artístico do Teatro do Noroeste – CDV, Ricardo Simões,  o novo projeto cénico, ainda sem nome, será dedicado ao navio-hospital Gil Eannes, e será apresentado em maio de 2016 a bordo da embarcação que, há 16 anos funciona como museu em Viana do Castelo.

Construído em 1955 nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), para apoiar a frota bacalhoeira portuguesa na Terra Nova e Gronelândia, o Gil Eannes foi resgatado da sucata, pelo município, em 1998. Desde então assumiu as funções de museu e recebeu mais de 650 mil visitantes.

“O imaginário convocado por esta atividade é o ponto de partida para um trabalho de criação comunitária que envolverá cerca de uma centena de atores, sendo que mais de uma dezena serão antigos trabalhadores dos ENVC”, explicou Ricardo Simões.

Os ensaios da nova criação começaram este mês, dirigidos por Graeme Pulleyn, o encenador inglês convidado pela companhia profissional de Viana do Castelo.

Além do grupo de antigos trabalhadores dos ENVC, a peça contará com a participação dos elementos das três oficinas de teatro que o Teatro do Noroeste – CDV dinamiza.

A oficina ATIVAsénior, criada em 2012, que conta com 20 participantes, com idades entre os 50 e os 84 anos, a ATIVAjúnior, criada em 2014 e participada por 22 jovens entre os 13 e os 18 anos de idade, e o “Enquanto Navegávamos – Oficina de Teatro dos ex- trabalhadores ENVC, criada o ano passado, após a apresentação do espetáculo com o mesmo nome.

Segundo Ricardo Simões o novo projeto cénico nasceu durante as sessões semanais daquela oficina.

“Debate-se muito, lembra-se, ri-se, chora-se e, sobretudo, criam-se histórias, alegorias, sentidos para a experiência de vida, e de trabalho que têm em comum. Alguns, hoje na casa dos 60, conhecem-se desde que entraram para os ENVC, ainda crianças”, explicou.

“Para trás ficaram as carreiras ligadas à metalurgia pesada da construção e reparação naval, assim como o polémico, humilhante e traumático processo de encerramento dos ENVC, de que resultaram dramas familiares e feridas que se manterão abertas pelo tempo que estes homens e mulheres vivam”, frisou.

A primeira peça protagonizada pelos ex-trabalhadores dos ENVC, “Enquanto Navegávamos”, estreou setembro de 2014 no teatro municipal Sá de Miranda.

Interpretada por oito antigos funcionários da empresa atualmente em fase de extinção o espetáculo “foi inspirado na memória da empresa de construção e reparação naval que, durante sete décadas, foi um símbolo da cidade e da região, tendo influenciado de forma perene a vida de várias gerações de vianenses”.

Foi a 118 produção daquela companhia, que em dez dias foi vista por mais de dois mil espectadores.

O espetáculo teve orientação estética do encenador e pedagogo espanhol Guilhermo Heras, e do cenógrafo e iluminador galego António Simon, e como encenador Ricardo Simões.

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