Câmara de Viana cede espaço a igreja evangélica
27 Outubro 2026, 20:05
A Câmara de Viana do Castelo aprovou esta terça-feira a cedência de um espaço de culto à Igreja Evangélica Filadélfia, na Urbanização Municipal do Carvalhal, em Darque, através de um contrato de comodato entre o município e a IEFVC. A proposta foi aprovada com os votos favoráveis do PS, contra do Chega e a abstenção do PSD.
De acordo com a vereadora da Coesão Social, Carlota Borges, que apresentou a proposta, o contrato de comodato tem a duração de um ano, renovável anualmente, desde que sejam garantidas as condições de limpeza e salubridade do edifício. O espaço será fiscalizado de seis em seis meses.
Durante a apresentação do ponto, Carlota Borges destacou a “coragem” do executivo socialista em intervir num acampamento de barracas que existia há cerca de três décadas.
Segundo a vereadora, as instalações vão servir não só para o culto religioso, mas também como “espaço de encontro das famílias e de intervenção comunitária da autarquia”.
Já o presidente da Câmara, Luís Nobre, defendeu também que o executivo teve “a coragem” de acabar com os acampamentos e de “criar condições para a integração plena dos cidadãos”.
“São vianenses. Há cinco anos prometi que não deixaria ninguém para trás e não estou a deixar”, afirmou o autarca.
PSD questiona igualdade entre religiões
O vereador André Lousinha reconheceu que a Lei da Liberdade Religiosa admite a cooperação entre os poderes públicos e as comunidades religiosas, mas defendeu que devem ser respeitados os princípios da igualdade, imparcialidade e não discriminação.
“No plano do interesse público, há referência à religião como instrumento de mudança sociológica ou transformação dos residentes, que é um conceito indeterminado para a demonstração explicita do interesse público. Consideramos esta formulação particularmente sensível e recomendamos a sua reformulação”, afirmou.
Chega vota contra cedência gratuita
O vereador do Chega, José Belo, votou contra a proposta, apesar de reconhecer o potencial das igrejas na inclusão social.
“O meu receio é que aos estreitarmos o acesso a esse espaço possamos estar a fechar portas a outros projetos de inclusão que são fundamentais”, disse, questionando ainda a opção pela cedência gratuita, em vez do arrendamento do espaço, que permitiria ao município obter uma receita.






















