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Sem-abrigo que vive debaixo da ponte de Lanheses pede casa para poder ter os cães

Rádio Alto Minho

18 Janeiro 2016, 17:12

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João Dias vive há cerca de sete meses numa barraca que construiu debaixo da ponte de Lanheses, na margem esquerda do rio Lima, na freguesia de Moreira de Geraz do Lima.

Desempregado, o operário da construção civil foi identificado pela GNR na sequência de uma queixa apresentada este mês pela Infraestruturas de Portugal. A empresa disse à RAM que por questões de segurança o homem de 47 anos vai ter que abandonar.

Já foi contactado por técnicos da Segurança Social mas João Dias só não quer ficar num quarto de uma pensão ou numa instituição.

Debaixo da ponte de Lanheses só sai se for para uma casa onde possa ter os seus bens pessoais e os dois cães.

“Ofereceram um lugar numa instituição que eu disse que era impossível. Antes quero a morte do que ir para lá porque eu sempre fui trabalhador, e nunca fui dependente, nem gosto dessa gente”, afirmou João Dias, disse ter um apoio de cerca de 178 euros do Rendimento Social de Inserção (RSI).

“Não vou dar tudo o que tenho, e perder tudo o que juntei na minha vida. Tenho um cão com 20 anos que é como se fosse um filho”, frisou.

“A Segurança Social queria dar-me um quarto numa pensão mas tinha que entregar os cães no canil. Só podia levar uma mala de roupa”, acrescentou.

A RAM contactou a Segurança Social de Viana mas sem sucesso.

Já vereadora de ação social da Câmara de Viana do Castelo garantiu que “este caso está perfeitamente sinalizado, é acompanhado, e conhecido mas não aceita ajuda”.

Ana Margarida Silva adiantou que tanto no caso de João Dias, como num outro divulgado nas redes sociais de um sem-abrigo instalado junto à Pousada da Juventude de Viana, as pessoas “estão sinalizados mas recusam ajuda”.

“Por variadíssimas vezes, quer os técnicos da Câmara quer do Rendimento Social de Inserção da Segurança Social, que conhecem e acompanham as pessoas, já disponibilizaram habitação, vagas em pensões e em instituições mas ambos não aceitam qualquer uma destas soluções”.

“É aqui que surgem os constrangimentos legais porque qualquer serviço social que seja não pode pegar na pessoa e obriga-la a ir residir para um quarto de uma pensão ou para determinada instituição”.

“Desde o momento que as pessoas recusam qualquer tipo de ajuda, o trabalho que vai sendo feito vai no sentido de sensibilizar, persuadir, convencer a pessoa a querer aceitar ajuda”.

“Hipóteses existem e já foram apresentadas pelos serviços muito antes do fenómeno ser conhecido pela imprensa e pela comunidade em geral simplesmente as pessoas recusam qualquer tipo de ajuda”.

“Ninguém pode ser institucionalizado nem colocado a residir num local contra a sua própria vontade. A única hipótese que existe é de ser o tribunal a decretar mas mesmo assim o tribunal só decretará, por exemplo, um internamento compulsivo se a pessoa atentar contra a vida de outrem, se colocar em perigo de outras pessoas, se tiver alguma demência grave”, explicou

“O problema é conhecido mas obrigar as pessoas, nem os serviços nem ninguém o pode fazer”.

 

 

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