Compra de aviões da TAP passou por “rigoroso e exaustivo escrutínio” de todos – Neeleman
24 Outubro 2022, 16:12
O ex acionista da TAP David Neeleman garante que o processo de aquisição de aviões, que teve conhecimento e aval de todos, passou por um rigoroso escrutínio político e técnico, sem que nunca fossem suscitadas dúvidas ou levantadas reservas.
Na semana passada, o ministro das Infraestruturas afirmou, no parlamento, que a administração da TAP pediu uma auditoria por suspeitar estar a pagar mais pelos aviões – adquiridos na gestão dos acionistas privados – do que os concorrentes e que o Governo encaminhou as conclusões para o Ministério Público.
Hoje o ex acionista privado da TAP, através do consórcio Atlantic Gateway, e que levou a cabo a renovação da frota da companhia, diz ter sido “surpreendido” pela auditoria, e conclusões, feita à gestão do seu período.
“Essa declaração, de um alto representante do Estado Português sobre um investidor estrangeiro que, a tempo, impediu a falência da companhia bandeira do país, não pode ficar sem uma resposta”, diz.
Neeleman recorda que um dos pontos chave do Plano Estratégico para a TAP – aprovado por todos os intervenientes no processo de privatização (Estado incluído, refere) – a que o consórcio “se propôs e cumpriu” consistia na renovação da frota, uma das “mais envelhecidas da Europa”, pelo que era “urgente” o seu rejuvenescimento como “uma das condições de sobrevivência e crescimento futuro” da companhia.
“A aquisição dos aviões à Airbus foi uma negociação complexa e morosa, mas que concluímos com sucesso e que permitiu concretizar a necessária e urgente renovação da frota, que “foi reconhecida por todos quantos analisaram o Plano Estratégico para a TAP e que justificou a escolha do nosso consórcio para adquirir a TAP”, afirma David Neeleman.
O consórcio Atlântico Gateway – composto pelos acionistas Neeleman e o empresário português Humberto Pedrosa – venceu a privatização da TAP, levada a cabo pelo Governo do PSD/CDS-PP, operação que foi parcialmente revertida em 2015.
“Os novos aviões da TAP foram adquiridos a preço de mercado, como demonstram as várias avaliações independentes apresentadas e confirmadas pelo rigoroso e exaustivo escrutínio político e técnico, típicos e desejáveis quando se trata de um processo de privatização e de um processo de reorganização acionista com o Estado Português”, sublinha o ex-acionista.
Neeleman reforça ainda esta ideia com a garantia do interesse de uma grande companhia aérea – cujo nome não menciona, mas que quando saiu da TAP confirmou como sendo a Lufthansa –, na compra da transportadora portuguesa.
“Dúvidas houvesse sobre a decisão de renovação da frota, sobre a capacidade da equipa de gestão ou sobre os preços por esta negociados com a Airbus e poucas semanas antes da pandemia, um grande “player” da aviação europeu, referência mundial acima de qualquer suspeita, apresentou-nos uma oferta por uma participação na TAP, que avaliava a empresa em quase mil milhões de dólares. Oferta essa que naturalmente só foi formalizada pelo ‘player’ depois de um processo de ‘due diligence’ rigoroso. Alguém concebe que essa oferta teria surgido se os contratos celebrados para a renovação da frota da TAP estivessem fora dos ‘standards’ [padrões] de mercado?”, questiona.





















