Protesto em Viana alertou para violência obstétrica e situações de racismo
07 Novembro 2022, 0:48
Cerca de meia centena de pessoas manifestaram-se hoje no centro da cidade de Viana do Castelo, para alertar para a violência obstétrica.
Esta ação decorreu inserido num protesto nacional que marcou também ações em outras capitais de distrito.
A manifestação foi organizada pelo Observatório de Violência Obstétrica (OVO), tendo exibido cartazes com palavras de ordem como “O Parto é Meu”, “O Útero, eu Decido!” e “Dona do Meu Parto”.
Uma das organizadoras a nível nacional, Lígia Morais, da OVO, reconheceu que “são baixas as queixas oficiais” por violência obstétrica, e referiu que, “aos poucos, a sociedade está a perceber o que é realmente a violência obstétrica”, pois “nem todas as mulheres conseguem identificar que tiveram violência obstétrica no seu parto ou nas consultas de obstetrícia ou até em tratamentos de fertilidade ou na interrupção voluntária da gravidez”, o que justifica também a baixa adesão ao protesto de hoje.

“Nós sabemos que nem toda a gente tem coragem de se apresentar e dizer que foi vítima”, disse Lígia Morais adiantando que o observatório tem estado a divulgar informação de como se pode efetuar queixa de violência obstétrica.
As manifestantes de exemplos de alguma da violência verbal exercida. “Muitas mulheres ouvem reparos como ‘Você está a gritar, mas na altura que esteve a fazer o seu filho gritava assim?’ ou ‘você não sabe parir’, ‘a rapariga do lado já teve o bebé, e você ainda está aqui!'”, destacam.
“Estas situações são uma agressão, mas as pessoas não identificam, as mulheres pensam ‘ok, eu tenho de fazer melhor'”, sublinham os manifestantes.

“O parto tem o seu tempo, e precisamos de respeito pela mulher”, frisou Lígia Morais.
Sobre o anunciado fecho de algumas maternidades, em janeiro próximo, pelo Governo, a OVO quer saber “quais as condições que terão as mulheres para se organizarem em termos do parto em si”.
Outra reivindicação da OVO é a criação de “centros de parto” nos hospitais, para um melhor acompanhamento das grávidas.

“Os Centros de Parto são inseridos nos hospitais, transformando o que existe, mas havendo uma divisão entre gravidezes de baixo risco e alto risco; as primeira acompanhadas por enfermeiros especialistas e, as de alto risco, por obstetras. Desta maneira conseguiremos trabalhar conjuntamente nas necessidades destas mulheres”, explicou Lígia Morais.
A responsável disse que a Comissão Parlamentar de Saúde tem tido conhecimento de todas as posições e atividades da OVO, que vai apresentar um pedido formal para ser ouvida.



























