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Álbuns fotográficos de família? Estudo diz que estão a morrer.

Rádio Alto Minho

08 Novembro 2023, 17:55

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Segundo um novo estudo da Epson, 86% das pessoas afirma ter abandonado o hábito de criar álbuns de fotografias de família e que, em média, cada pessoa não olha para um álbum de fotografias há mais de um ano e meio. O domínio da fotografia digital, bem como a facilidade de acesso a ela, ajudam a justificar o fenómeno.

O novo estudo revela que apenas 2% das fotografias passam dos telemóveis para as nossas paredes e que mais de um terço das pessoas admite não ter fotografias impressas de familiares ou amigos em casa.

Apesar dos sentimentos positivos de bem-estar que a visualização de fotografias físicas dos entes queridos pode gerar – 8 em cada 10 pessoas afirmam que isso as faz felizes e mais de metade sentem um sentimento de orgulho e nostalgia -, 86% das pessoas afirma ter abandonado o hábito de criar álbuns de fotografias de família.

O estudo também refere que, em média, cada pessoa não olha para um álbum de fotografias há mais de um ano e meio (19 meses) e que 85% dos pais acreditam que a visualização de álbuns faz com que as crianças se sintam mais próximas dos seus familiares, enquanto 94% afirmam que dá às crianças um forte sentido de identidade, e sentido de pertença à sua família.

Quando decidimos pegar nos álbuns, refere o estudo, 76% gostam de encontrar nomes de pessoas, datas ou locais escritos no verso das fotografias.

75% dos inquiridos acredita que as imagens digitais não lhes permite viver a mesma experiência e receiam as histórias se percam com os telemóveis. Este facto é particularmente notório entre as gerações mais jovens, com 79% dos jovens entre os 18 e os 29 anos a sentirem que podem perder a experiência, em comparação com 70% das pessoas com mais de 60 anos.

Mas não se trata apenas de álbuns de fotografias: o estudo concluiu que muitas das fotografias que tiramos todos os dias nunca vêem a luz do dia. Em média, temos 1030 imagens confinadas aos nossos telemóveis, mas só imprimimos 2% para expor em casa. Mais de um terço das pessoas admitiu também que não tem nenhuma imagem impressa de familiares ou amigos em casa e 22% disseram que preferem partilhá-las nas redes sociais.

Partilhar nas redes sociais é a prioridade para as novas gerações.

Linda Henkel Ph.D., psicóloga cognitiva que investiga a memória na Universidade de Fairfield, Connecticut, alerta para as consequências de “casas sem fotografias”, afirmando que os smartphones podem estar a prejudicar a capacidade das pessoas para recordar acontecimentos do passado.

“Apesar das mudanças generalizadas na tecnologia, a função principal de tirar fotografias continua a ser a mesma: as pessoas tiram fotografias com a intenção de as utilizar para recordar momentos posteriores. No entanto, as fotografias impressas podem ajudar-nos a recordar melhor quando olhamos para elas, em vez de simplesmente as acumularmos nos nossos telemóveis. Se tirarmos fotografias apenas como troféus para exibir nas redes sociais e concentrarmos a nossa atenção no número de comentários e gostos que recebemos, é menos provável que nos lembremos de pormenores das nossas experiências”, refere, salientando que é importante combater este fenómeno.

A investigadora diz que é importante “interagir com as fotografias, dedicar algum tempo a organizá-las, seleccioná-las para encontrar as melhores e exibi-las em casa, imprimi-las para as juntar aos álbuns de família” de forma a reforçar o acesso e a nitidez das nossas memórias.

O relatório da Epson Europe conclui que, entre as pessoas que têm fotografias de momentos especiais ou de entes queridos impressas nas paredes, 55%, sente que isso as ajuda a reviver a memória do momento em que a fotografia foi tirada e 45% concordam que isso as ajuda a recordar melhor o momento específico.

Outro aspeto importante prende-se com a possibilidade de perder as fotografias. Preocupantemente, 29% dos pais confessam ter-se esquecido de fazer cópias das suas fotografias. Isto apesar do facto de 6 em cada 10 pessoas afirmarem que perderam fotografias ou documentos importantes por não terem conseguido descarregá- los e imprimi-los.

“Muitas vezes, temos milhares de fotografias guardadas nos nossos dispositivos, muitas das quais raramente olhamos depois, ou então temos dificuldade em encontrá-las novamente. Ter fotografias visíveis e físicas, seja em álbuns ou em exposição, pode ajudar-nos a aceder mais facilmente às nossas memórias de acontecimentos”, refere Linda Henkel, acrescentando que, para além dos acontecimentos, também é possível recordar os sentimentos e emoções sentidos na ocasião.

A investigadora conclui: “Isto traz outros benefícios para além da memória. O estudo mostra que a partilha das nossas memórias com outras pessoas quando as recordamos está associada a muitos resultados positivos, como a melhoria do humor, uma maior sensação de ligação com os outros e menos sentimentos de solidão”.

Posto isto, é importante perguntar: há forma de recuperar os velhos hábitos ou os álbuns fotográficos em formato físico estão condenados ao desaparecimento?

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