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Radioterapia em Viana vai ter de esperar: “Tenho muita pena que isto tenha acontecido”

Duarte Lago

14 Dezembro 2023, 15:58

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A decisão sobre a instalação do serviço de Radioterapia no Hospital de Viana do Castelo deverá ser tomada pelo próximo Governo, que só será conhecido depois das eleições agendadas para 10 de março do próximo ano. O desabafo foi feito por Defensor Moura, atual presidente da Mesa da Assembleia da Liga dos Amigos do Hospital de Viana do Castelo, à margem da apresentação do terceiro tomo de "O meu (des)encontro com a partidocracia".

Ainda não tive oportunidade de falar com o ministro, mas com certeza ele não vai tomar nenhuma decisão. Isto veio atrasar a nossa vontade… Vamos esperar pelo próximo Governo. Até porque não é uma coisa para se decidir de um dia para o outro. Implica obras, implica projetos, implica a compra de equipamento… É uma coisa que vai demorar dois ou três anos a concretizar e terá de ser o próximo Governo a decidir. Tenho muita pena que isto tenha acontecido agora…“, lamentou em declarações à Rádio Alto Minho.

À semelhança do que aconteceu na década de 1990, com os esforços para devolver a Viana do Castelo o “velhinho” Gil Eannes, Defensor Moura voltou a mobilizar os vianenses, em 2023, para uma outra causa: a instalação do serviço de radioterapia no Hospital de Viana do Castelo.

A petição foi assinada por milhares de pessoas e chegou em setembro até ao ministro da Saúde. Estava prometida uma resposta para o primeiro trimestre de 2024, como a Rádio Alto Minho noticiou na altura.

O assunto está a ser estudado, de forma aprofundada, nos Serviços do Ministério da Saúde. Espero estar em condições de tomar uma decisão no primeiro trimestre de 2024“, anunciou então Manuel Pizarro, segundo foi partilhado pela Liga dos Amigos do Hospital de Viana do Castelo.

Na publicação, é visível ainda o esclarecimento apresentado pelo ministro. “Trata-se de matéria delicada, que tem de ser analisada com todo o rigor. É isso que temos vindo a fazer, valorizando sobretudo a qualidade dos cuidados prestados aos doentes. A radioterapia, como muitas outras tecnologias do serviço da saúde, tem sofrido uma grande evolução. Os tratamentos são de tipologia muito diversa, mais precisos, permitindo administrar maior dose, com menos efeitos laterais“, lê-se.

É imperioso assegurar que o importante valor da proximidade, acarretando menor incomodidade para os doentes, não tenha como contraponto uma redução da sofisticação técnica dos tratamentos. Como bem destaca, o que está em causa não é o financiamento. Muito provavelmente a descentralização de cuidados até permitirá poupar recursos, visto que as longas viagens, além de incómodas para os doentes, são muito onerosas para o SNS“, acrescentou ainda Manuel Pizarro.

A instalação do serviço de Radioterapia no Hospital de Viana do Castelo poderá contribuir para que os cerca de 400 novos doentes com cancro que surgem anualmente não necessitem de se deslocar, em média, 25 vezes até Braga ou Porto, naquelas que são classificadas de viagens absolutamente “tormentosas”.

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