Primeiro autocarro da Salvador Caetano e primeiro com licença para turismo é vedeta em museu de Viana
03 Outubro 2015, 13:20
Um autocarro de 1958, o primeiro a ser comercializado em Portugal pela Salvador Caetano e o primeiro a ter licença para fins turísticos, é a “vedeta” do museu dos transportes criado pela Fundação Santoínho, em Darque, Viana do Castelo.
Com 14 lugares, o modelo produzido pela Fiat custou 70 contos (350 euros), “verdadeiro luxo para a época”, e foi a primeira viatura a operar no sector turístico no país, tendo sido o primeiro com licença para cruzar fronteiras.
“Em 1958, foi publicada uma lei que licenciar viaturas para excursões coletivas. O meu avô (António Cunha) era uma pessoa muito atenta e foi logo a primeira pessoa a adquirir uma viatura de turismo”, explicou um dos responsáveis do Museu dos Transportes, Ivo Cunha.
Para o neto do fundador do maior grupo de transportes de Viana do Castelo, e “mentor” do projeto daquele núcleo museológico, situado no lugar de Santoínho, em Darque, o “histórico autocarro” é “peça fundamental” do espólio que o avô, António Cunha, falecido em 2005, reuniu durante anos.
“O sonho dele, já de décadas, enquanto empresário do setor, e colecionador de muitas peças que estão aqui no museu, era proporcionar ao público uma mostra do que eram os transportes, enquanto atividade e também enquanto história da região”, disse o diretor executivo do grupo Avic.
“Ele faleceu em 2005 e não teve oportunidade de concretizar esse projeto. Agora, felizmente temos um espaço onde concretizámos esse sonho, e podemos proporcionar às pessoas uma perspetiva original dos transportes”, disse o empresário.
Na evolução que o setor, e a empresa conheceram o autocarro “tem muita história para contar”, a que se junta “um extenso arquivo de fotografias e relatos das peripécias” registadas durante “os milhares de quilómetros percorridos no país e pela Europa fora”.
“Levou muita gente de Viana a visitar muitas cidades da Europa, desde Paris e Roma. Impulsionou muito o turismo da região, e levou muita gente daqui a ver outros mundos”, realçou.
Cerca de 20 anos depois de ter sido comprado, a Salvador Caetano tentou reavê-lo para o seu próprio museu mas sem sucesso. “Quando o meu avô foi presidente da Câmara de Viana do Castelo (1977 e 1979) a Salvador Caetano tentou adquirir o autocarro, tentando até trocar por uma viatura completamente nova, mas a proposta foi recusada porque as histórias que ele encerra estão muito vincadas na história da nossa empresa. É por isso que tem lugar de destaque nesta exposição”, explicou.
O museu começou a ganhar forma em 2012, com “o trabalho de restauro, e de investigação” e ganhou impulso com a constituição da Fundação Santoínho, aprovada pelo Governo em novembro de 2014 e que abrange ainda um museu do Traje e Costumes, com mais de mil peças avaliadas por especialistas em mais de 600 mil euros.
O espaço dedicado aos transportes integra “mais de duas dezenas de peças”, desde exemplares do transporte de tração humana, até à tração animal, um coche do século XVII, charretes, e veículos motorizados, como um carro de transporte de carga e quatro autocarros que remontam às décadas de 50 e 60.
Naquele núcleo museológico está ainda exposto parte do “extenso” que o fundador do grupo organizou: “O meu avô era o organizador das excursões, o guia, o motorista, o mecânico. Eram outros tempos, tempos de trabalho árduo, com o risco associado, mas era uma aventura que ele tinha um gosto enorme em fazer e registar”, disse.
O investimento ultrapassa “as centenas de milhares de euros” mas a fundação prepara-se para lhe dar “mais dinâmica”, sobretudo a pensar nas escolas da região.
“Neste momento está perfeitamente visitável, mas o objetivo é apostar na descrição de cada peça, e na introdução de novas peças que estão em fase de restauro”, explicou.
Número certo de visitantes ainda não há mas as estimativas de Ivo Cunha apontam, no último ano “para milhares de pessoas” porque o espaço está aberto, de maio a novembro, para as pessoas que visitam o maior arraial minhoto do país, também propriedade do grupo, e por onde passam, por noite mais de duas mil pessoas.






















