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Autarca de Viana apela ao diálogo para mitigar impacto das eólicas ‘offshore’ na pesca

Rádio Alto Minho

11 Fevereiro 2025, 16:14

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O presidente da Câmara de Viana do Castelo apela ao diálogo entre Governo e o setor da pesca para serem encontradas soluções de mitigação face ao plano das eólicas ‘offshore’.

“Só há uma forma de fazer este percurso. É com base no diálogo, concertando o que for possível concertar como já aconteceu no passado [projeto eólico ‘offshore’ WindFloat Atlantic situado ao largo de Viana do Castelo]”, afirmou Luís Nobre, à margem da cerimónia de consignação da obra de reconversão do antigo matadouro.

Esta reação surge no seguimento de declarações à agencia Lusa do representante da cooperativa VianaPescas, que acusa o Governo de “traição”, por causa da versão do Plano de Afetação para as Energias Renováveis Offshore (PAER), publicada na sexta-feira no Diário da República.

“Já alertámos o primeiro-ministro para que introduza a correção no diploma, pois todas as associações do Norte estão unidas para responder a esta traição”, revelou Portela Rosa, que representa uma cooperativa de produtores de peixe de Viana do Castelo, com cerca de 450 associados.

De acordo com o representante da VianaPescas, o Plano de Afetação para as Energias Renováveis Offshore (PAER) prejudica “o maior local de pesca de Viana do Castelo, que são os secos de Viana”.

Questionando pelos jornalistas, Luís Nobre disse ser “inegável” que o PAER vai ter “impacto” na “atividade milenar da pesca” e defendeu que “só com diálogo se constroem soluções e não tomando posições de confronto ou de não escutar as preocupações do setor”.

“Não há forma de implementar o ‘offshore’ sem ter impacto na atividade da pesca. Tenho consciência disso e julgo que os pescadores também. Acredito que os pescadores estão disponíveis para esse diálogo”, afirmou.

O Plano de Afetação para as Energias Renováveis Offshore reduziu a área norte e eliminou a área sul de Viana do Castelo como possíveis zonas de exploração de energias renováveis relativamente a uma primeira versão do documento.

O plano prevê uma área total para exploração de 2.711,6 quilómetros quadrados (km2), valor que inclui uma área de 5,6 km2 na Aguçadoura (Póvoa de Varzim), para instalação de projetos de investigação e demonstração não comerciais, o que representa uma diminuição de 470 km2 face à proposta submetida a discussão pública.

Assim, prevê-se uma área de 229 km2 em Viana do Castelo, para uma potência de 0,8 gigawatts (GW), 722 km2 em Leixões (2,5 GW), 1.325 km2 na Figueira da Foz (4,6 GW), 430 km2 em Sines (1,5 GW) e 5,6 km2 em Aguçadoura.

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