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Cerca de 32% dos portugueses adultos sofrem de deficiência de ferro e 20% de anemia, mas a população continua a desconhecer o problema

Rádio Alto Minho

26 Novembro 2022, 3:47

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Os números há muito que confirmam que a deficiência de ferro e a anemia são um problema de saúde pública. A propósito do Dia da Anemia, que se assinala a 26 de novembro.

João Mairos, presidente do Anemia Working Group Portugal (AWGP), recorda que “estima-se que cerca de 32% dos portugueses adultos sofrem de ferropenia e 20% de anemia”.

No entanto, alerta o médico, a grandeza dos números não é proporcional à preocupação com os mesmos, sendo um dos maiores problemas a falta de sensibilização dos profissionais de saúde e da população portuguesa.

Para o presidente do AWGP, “é necessário continuar a alertar para a elevada prevalência conhecida na idade adulta e colocar, como foco da prática clínica, a importância de diagnosticar precocemente a anemia e a deficiência de ferro, sobretudo, nos grupos de pessoas com maior risco, como é o caso das mulheres, grávidas, idosos, doentes com insuficiência cardíaca, insuficiência renal e doentes oncológicos”.

Além da necessidade de se aumentar o número de iniciativas que visam um maior conhecimento, João Mairos refere ainda que “os portugueses não estão suficientemente informados sobre os sintomas e os sinais da anemia nem da deficiência de ferro”.

E, acrescenta, “se a população não os identifica precocemente, então é preciso continuar a trabalhar no aumento da literacia em saúde”.

De acordo com o médico, “o diagnóstico é fácil, bastando uma pequena análise, sendo algo pouco dispendioso”.

No entanto, é também possível que os sinais e sintomas se façam sentir de uma forma subtil e progressiva, não sendo evidentes o suficiente para que a pessoa os consiga identificar.

É preciso, por isso, estar atento a um cansaço/fraqueza generalizados, dificuldades de concentração, queda de cabelo e unhas quebradiças ou, no caso das mulheres, perdas menstruais demasiado abundantes ou muito frequentes e consultar o médico quando isso acontece.

O tempo tem levado também à implementação, em Portugal, de Programas de patient blood management (PBM), intimamente associado ao tratamento da anemia. Segundo o sumário do Despacho n.º12310/2021: “Determina a implementação do programa de gestão do sangue do doente (PBM) nos estabelecimentos hospitalares do Serviço Nacional de Saúde e a criação da Comissão Nacional para o Acompanhamento do Desenvolvimento e Operacionalização do Programa de Gestão de Sangue do Doente.”

João Mairos explica que “este é um conceito extremamente simples, mas cuja implementação tem-se revelado de uma enorme complexidade.”

O médico acrescenta ainda que o PBM “consiste em considerar o sangue de cada um de nós como um tesouro único e tomar uma série de ações clínicas e organizacionais para o preservar como primeira prioridade, evitando o recurso à transfusão”.

Quando esta estratégia é aplicada, o principal beneficiado é o doente, já que os riscos são reduzidos e a qualidade de cuidados é superior.

João Mairos enumera ainda “a diminuição da mortalidade e morbilidade, as infeções associadas aos cuidados de saúde e a diminuição nos tempos de internamento” como as principais vantagens.

E “ganha também o sistema de saúde, através da poupança de recursos, sangue e, obviamente, dinheiro”.

Este último vem a comprovar-se através de um estudo de 2017, realizado pela Exigo, em colaboração com o AWGP, que concluiu que a implementação adequada de um programa de PBM a nível nacional poderia abranger cerca 384.700 doentes de diversas áreas médicas e cirúrgicas, com uma poupança anual para o SNS de 67,7 milhões de euros.

O valor é atribuível principalmente à redução da duração do internamento em 10,3%, à diminuição de mais de 50% das transfusões de concentrado de eritrócitos e ao decréscimo de 37,2% da taxa de reinternamento.

Segundo números da Comissão Europeia, de 2017, na União Europeia 20 a 40% das cirurgias major são efetuadas em doentes com anemia não corrigida.

“É fundamental corrigir atempadamente a anemia logo no início. Para que efetivamente este programa tenha sucesso, é preciso um esforço comum e multidisciplinar entre a Patologia Clínica (laboratório), a Imuno-hemoterapia, a Anestesiologia e as especialidades Cirúrgicas e Médicas e, também, que as Direções Clínicas liderem este processo e as Administrações incentivem a implementação destas práticas.”

Esta é aliás uma medida legislativa atual, tendo havido lugar à publicação do despacho nº12310/2021, que determina a obrigatoriedade de implementação deste programa nos hospitais portugueses e que vem facilitar a implementação destes programas.

No entanto, João Mairos considera que é “uma iniciativa de natureza cultural por parte das organizações de saúde e a cultura não se implementa por decreto”, concluindo que “é necessário empoderamento por parte das Administrações Hospitalares e liderança clínica por parte das Direções Clínicas”.

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