Conheça a história de Andrea Cruz contada no projeto “Estórias de Viana”
26 Novembro 2015, 16:58
Andrea Cruz, jornalista da Rádio Alto Minho, conta ao ‘Estórias de Viana’ de onde surge a paixão pelo jornalismo, profissão que exerce há 26 anos. Nascida em Moçambique, conta que cresceu “no meio”, sempre “rodeada de música, notícias, técnicos de som, microfones, estúdios e artistas”.
O recente projeto ‘Estórias de Viana’, da autoria de Alexandre Martins, decidiu fotografar e dar forma a mais “uma voz sem rosto”, como se descreve a jornalista.
Através de um blogue e de uma página no facebook – “Estórias de Viana” -, Alexandre Martins, nascido em Angola e chegado a Portugal em Outubro de 1975, com quatro anos de idade, decidiu “olhar para as pessoas que são a cidade” e perceber qual a sua “reação ao ler estas estórias dos outros que nos rodeiam neste espaço à beira Lima”. O gosto pelas histórias nasceu consigo e permaneceu durante a sua formação académica, em escrita de argumentos para cinema. Não é fotógrafo, mas gostava. Alexandre, que diz ser muitas coisas diferentes que o façam ganhar a vida, inspirou-se no projeto do nova iorquino Brandon Stanton, chamado Humans of New York, que relata histórias de pessoas anónimas da cidade, acompanhadas de fotografias. Por ser um trabalho que considera “extraordinário e especial”, Alexandre afirma que queria fazer o mesmo em Viana do Castelo. “Somos de um país e cultura diferentes, somos de uma pequena cidade e com outro tipo de vivências da dos americanos. Como sairá? Que receção por parte dos Vianenses terá?”, solta o “Vianense adotado”, tal como se descreve e sente.
Para além do objetivo meramente pessoal, este projeto pretende chegar às pessoas, à consciencialização, ao debate e à reflexão: “O meu projecto espera olhar para as pessoas que são a cidade. Elas que falem e digam o que sentem e depois cada um reflita numa conclusão. Há anos que existe uma eterna discussão sobre se a cidade de Viana do Castelo existe para além da Romaria da Senhora da Agonia , cinco dias em agosto. Uns dizem que a cidade passa a ser fantasma depois do último dia de festas e só volta a existir no primeiro dia de festa do ano seguinte. Outros lutam e querem fazer mais da cidade do que apenas um palco da Senhora da Agonia.”
O projeto, que completa uma semana desde que foi criado, no passado dia 23, conta com duas ‘estórias’ e promete duas novas publicações a cada semana, às segundas e quintas feiras.
Esta é a ‘estória’ de Andrea Cruz, que acaba com o ‘Expresso das 19’ nos anos 80, onde curiosamente teve início a sua carreira.
“Sei que sou uma voz sem rosto, mas não me importo. A notoriedade não é o que me prende há mais de 26 anos ao jornalismo. Amo, com paixão, o meu trabalho, pelo impacto que algumas das notícias que faço podem ter na vida das pessoas. É um orgulho só meu, porque nesta profissão também deve existir sempre responsabilidade social.
Cresci “no meio”, a ver o meu pai fazer programas de rádio. Sentada nas pernas do técnico de som, separada pelo vidro da “régie”, ali estava ele, com a mesma paixão.
Com o meu avô aprendi a ouvir a rádio, onde o filho, meu tio jornalista dizia as notícias.
Desde muito cedo, sabia como funcionava um e outro lado da rádio.
Em Moçambique, onde nasci, eu e os meus irmãos sempre vivemos rodeados de música, notícias, técnicos de som, microfones, estúdios, artistas.
O meu irmão nunca seguiu este caminho; a minha irmã até há pouco tempo trabalhou numa rádio. De todos, sou agora a única que continua a dar voz a boas e más notícias.
E tudo começou numa rádio pirata aqui em Viana onde, um dia, um colega me disse. “Que tal fazermos um noticiário alargado. Vamos chamar-lhe Expresso das 19”. Estávamos na década de 80.”
FOTO: Alexandre Martins






















