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Cotrim em rota liberal por Viana mas foi em Ponte de Lima que criticou Governo “em desespero de causa”

Rádio Alto Minho

24 Julho 2022, 17:17

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O presidente da Iniciativa Liberal (IL) este em rota liberal pelo distrito de Viana do Castelo. Na capital do Alto Minho foi ao mar, mas foi em Ponte de Lima que lançou críticas ao Governo pela gestão na questão da água, classificando de “apelo em desespero de causa” as medidas anunciadas no sábado para combater a seca.

“É um apelo em desespero de causa numa situação de seca, que é uma situação difícil e que se espera que não se prolongue por muito tempo, mas que se tem noção, dadas as alterações climáticas, que se poderá repetir mais frequentemente que no passado e que, por isso, precisa de uma resposta estrutural”, afirmou à Lusa João Cotrim de Figueiredo, em declarações antes de mais uma iniciativa das Rotas Liberais.

O Governo aprovou no sábado novas medidas de combate à seca, que contemplam redução de consumos em empreendimentos turísticos no Algarve e obras em albufeiras em Trás-os-Montes, anunciaram os ministros do Ambiente e da Agricultura.

“Há demasiado tempo, quer ao nível do Plano Nacional de Regadio e nas zonas de regadios que são escassas em Portugal, quer ao nível da discussão dos transvases de água, que em Portugal são possíveis e noutros países não, que não se está a fazer grande coisa”, acrescentou o dirigente, aludindo à gestão que envolve, também, o setor da agricultura.

Segundo Cotrim de Figueiredo, “não estão no PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] as verbas afetas à assunção e infraestruturação para a solução desse problema”, acrescentando que “podem-se fazer muitos apelos, mas na pratica quando é possível fazer algo de concreto o Governo não faz”.

Questionado sobre a proposta da União Europeia aos Estados-membros de redução de 15% no consumo de gás natural, desde a primeira hora contestada pelo Governo português, o líder da IL disse que concorda com o executivo.

“Estamos de acordo que Portugal não deve assumir esse compromisso porque não tem uma alternativa que seja viável”, disse Cotrim de Figueiredo.

“Há, também aqui, aspetos estruturais e conjunturais. A União Europeia é um espaço de solidariedade entre estados membros, portanto, muitas vezes nós beneficiamos dessas solidariedade e se há agora países europeus que vão ter uma perspetiva de um inverno difícil do ponto de vista energético, nós devíamos estar disponíveis para fazer a nossa parte”, prossseguiu.

Contudo, enfatizou, a “parte conjuntural vem dificultar muito esta questão” porque o país vai “ter, dada a seca, uma produção de energia hídrica muito abaixo, mas muito abaixo do que tem sido a média da década”, provocando no próximo inverno um “consumo maior de gás natural num mercado que em termos europeus é relativamente pequeno”.

“Os 15% de redução do gás natural em Portugal significariam pouco, acrescendo o facto de que a nossa origem de consumo nem sequer é primordialmente a Rússia, a percentagem de gás russo que se consome em Portugal é muito pequena”, continuou o dirigente da IL.

Por isso, assinalou, a redução de 15% no consumo seria “um problema grave”, pois ao não haver “capacidade hídrica para substituir o gás”, não existe “a possibilidade de usar o gás todo que o país precisa”, tendo de “voltar a recorrer às centrais a carvão, e uma delas já não pode ser reativada, o que não seria, nem do ponto de vista ambiental nem económico, uma boa solução”.

Cotrim de Figueiredo reuniu-se hoje com empresários da construção civil para conhecer os problemas do setor e de que forma poderão ser ultrapassados os problemas provocados, quer pela pandemia da covid-19, quer da emigração de pessoal especializado.

 

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