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Criado no facebook movimento cívico para salvar convento de São Francisco do Monte

Rádio Alto Minho

12 Outubro 2015, 16:05

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Intitulada “Vamos Recuperar o Convento de São Francisco do Monte” , a página criada no facebook por um movimento de cidadãos tem como objetivo promover a troca de ideias e propostas com vista à recuperação daquele património de Viana do Castelo, abandonado e em avançado estado de degradação.

O autor da página, Paulo Vilaverde, explicou à RAM que o que se pretende é “criar um fórum, o mais alargado possível, que represente a cidade de forma heterogénea, sem politização e partidarização, para levar a bom porto a recuperação do convento”.

Em causa está um imóvel datado do século XIV, adquirido em 2001 pelo Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC), situado na encosta do Monte de Santa Luzia, e que se encontra há anos votado ao abandono e à espera de uma reabilitação que poderá custar mais de oito milhões de euros.

A intenção do IPVC passa por transformar o convento secular num espaço de retiro para formação ou criação artística mas, por falta de financiamento, o projeto ainda não saiu do papel.

“Enquanto cidadãos temos a obrigação de defender o património que recebemos, e que queremos deixar às gerações futuras. Decidi utilizar este meio comunicação, que é a internet, para lançar esta causa e ver se havia interesse dos cidadãos em recuperar o imóvel. A adesão foi massiva”, disse Paulo Vilaverde.

Criada no facebook na madrugada de sexta-feira passada, a página reúne quase dois mil membros, sendo que o objetivo é atingir os dez mil “para que a troca de ideias, e de propostas possa ter repercussão”.

“Esta é uma questão da cidade e da sua história. No entanto, temos que mostrar que é uma questão importante para um conjunto significativo de cidadãos. Quantos mais aderirem melhor para fazermos ouvir a nossa voz junto do IPVC e de outras entidades públicas”, sublinhou.

O autor da página adiantou que a preocupação não é nova sendo que “nos anos 90 diversos cidadãos se movimentaram para recuperar aquele importante património, mas sem sucesso”.

Explicou que, apesar de não estar classificado, o imóvel integra “imagens fabulosas de São Francisco, Santo António, e São pedro de Alcântara, os patronos da Ordem de São Francisco, sendo o terceiro mandado construir por aquela ordem em Portugal”.

“Queremos reunir o maior número de ideias e projetos para realizar, no local, um fórum, envolvendo todos os interessados em discutir a recuperação daquele conjunto edificado. Uma discussão que envolva o IPVC, autarcas, investigadores, e população em geral”, explicou.

No imediato, o movimento quer “desenvolver esforços para promover visitas guiadas ao local, sobretudo dirigidas às escolas, e a cidadãos ainda desconhecedores da realidade do imóvel”.

Contactado pela RAM, o presidente do IPVC disse ver “com muito bons olhos”, esta iniciativa, considerando poder ser “um agente facilitador de criação de um lobby que ajude a encontrar uma solução”.

“É uma boa ajuda, e o IPVC está totalmente disponível para participar nesta causa. Não pode ser uma causa fracionada mas de toda a cidade”, defendeu Rui Teixeira, admitindo que o acesso a financiamento europeu para a recuperação daquele património “tem sido um problema constante”.

“O IPVC teve sempre dificuldade em encontrar financiamento até porque o que se conseguir nunca chegará para tudo. Além da recuperação é preciso investir em acessibilidades, e em infraestruturas de iluminação e abastecimento de água”, explicou.

Anteriormente  aquele responsável já tinha defendido que “só uma candidatura” conjunta do Alto Minho aos novos fundos comunitários “poderá salvar” o convento, com mais de 600 anos.

“O convento é do IPVC, mas o seu destino ou finalidade deverá resultar de sinergias regionais. O novo quadro comunitário pode abrir espaço a essa intenção, no âmbito da região onde está inserido”, afirmou na ocasião.

O avançado estado de degradação do imóvel implicará uma intervenção dispendiosa, mais facilitada após as falhadas tentativas de classificação do imóvel junto da Direcção-Geral do Património Cultural, que mandou arquivar o processo.

Apesar da degradação que tomou conta do que resta do convento, entre peças vandalizadas ou mesmo roubadas, o IPVC “mantém uma vigilância e manutenção possíveis”.

Antes de chegar as mãos do IPVC, e com a extinção das ordens religiosas, o convento foi comprado em hasta pública em 1834, pelo Visconde de Carreira, que o transformou em exploração agrícola. A partir da década de 60 do século XX, o espaço conventual entrou em progressivo estado de degradação e, em 1987, o seu último proprietário, Rui Feijó, doou-o à Misericórdia local.

 

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