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Dragagem de acesso aos estaleiros permite à WestSea aumentar em 60% faturação com reparação naval e criar 120 novos empregos em Viana

Rádio Alto Minho

16 Junho 2020, 21:07

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Carlos Martins, o administrador da Martifer, estimou hoje um aumento de 60% da faturação com a reparação naval, e a criação de 120 novos postos de trabalho, quando estiver concluída, dentro de oito meses, a dragagem do canal de acesso aos estaleiros de Viana do Castelo.

Carlos Martins, que discursava durante a cerimónia de lançamento daquela empreitada, num investimento de 17,4 milhões de euros, disse que, em 2019, a WestSea, subconcessionária dos estaleiros, “bateu o recorde de faturação, com 93,4 milhões de euros”, mas que a “dimensão do canal” de acesso à empresa “limitou” o crescimento das reparações navais, sendo que, em seis anos, foram requalificados mais de 220 navios.

“Muitos dos nossos clientes podiam trazer mais navios para reparar, mas estamos limitados à dimensão do canal. Os navios só conseguem sair em maré e, há muitos que podiam e que não vêm, porque não temos profundidade necessária. Este projeto vai potenciar e dar outra dimensão aos estaleiros de Viana do Castelo”, disse Carlos Martins durante a sessão presidida pelo ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos.

Com 220 metros de comprimento e 45 metros de largura, o aprofundamento do canal de acesso aos estaleiros, “num investimento privado de 15 milhões de euros, que acontecerá, em simultâneo com as obras que vão ser realizadas pela Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL), no porto de mar” vai permitir construir “navios com mais qualidade e tecnologicamente mais evoluídos”.

De acordo com os números avançados pelo administrador, a WestSea, que iniciou atividade em 2014, “já construiu 15 novos navios, a maioria para [o empresário] Mário Ferreira, e dois navios Navio Patrulha Oceânicos [NPO] para a Marinha”.

“Estamos agora ávidos de ter novas encomendas da Marinha para os tempos que aí vêm. Achamos que isso vai acontecer por estes dias”, disse Carlos Martins.

O responsável adiantou que faltam criar 30 postos de trabalho para o grupo atingir a meta de 400 empregos, fixada em 2014.

“Desde o início dissemos que queríamos criar 400 postos de trabalho e estamos em pleno emprego. Faltam 30 postos de trabalho para os 400, porque não conseguimos até agora reunir pessoas que pudessem vir. As inscrições estão abertas todos os dias, para que isso possa acontecer. Mesmo assim temos uma media de mil pessoas a trabalhar, diariamente, nestes estaleiros”.

Além da criação de 120 novos postos de trabalho, Carlos Martins disse que a intervenção, hoje lançada e com prazo de execução de oito meses, vai permitir “separar, praticamente, os estaleiros numa área de construção e outra de reparação”.

“Esta doca vai transformar completamente a estrutura do estaleiro. Estes estaleiros têm cerca de 60 anos e esta doca vai criar condições de produção mais confortáveis e fazer navios com mais qualidade e tecnologicamente mais evoluídos”, afirmou, sublinhando a “estreita parceria” com os estaleiros da Galiza, e destacando que, durante a pandemia de covid-19, os estaleiros de Viana do Castelo não pararam, “obrigando a uma ginástica gigante”.

“Estamos dentro da cidade de Viana do Castelo, que tem cerca de 40 mil habitantes, e tínhamos aqui uma densidade de pessoas, por metro quadrado, muito elevada. Qualquer coisa que acontecesse aqui, de mal, rapidamente contagiava uma região. Tivemos de fazer um esforço gigante, com cerca de 1.400 pessoas a trabalhar. Num período de pandemia é possível, com organização, continuar. No mesmo período, faturamos mais 45% do que no ano passado”, disse.

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