Expo Fish Portugal: “Não temos de pescar mais, temos de pescar melhor”
05 Novembro 2026, 15:23
O Secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro, valorizou Viana do Castelo como “um território onde se sente e vive o mar de uma forma intensa”.
“Temos tratado muito bem o nosso mar em termos de recursos, de biodiversidade, das condições que impomos e agora é a hora de obter resultados práticos daquilo que tem sido uma boa performance do Governo e do setor nos últimos anos”, considerou.
Salvador Malheiro afirmou também que “nas fileiras do pescado português temos empresas que têm sabido estar à altura do desafio, têm feito um trabalho notável, com foco na exportação e na segurança alimentar”. Assumiu que “a competitividade da fileira tem de ser na geração de riqueza e no contributo para o sucesso da população portuguesa”, dando como exemplo a valorização da sardinha. Entre maio e outubro de 2026, referiu, Portugal pescou menos 1.000 toneladas de sardinha face ao mesmo período de 2025, mas faturou mais 20 milhões de euros. No ano passado, a faturação foi de 40 milhões, este ano de 60 milhões, para praticamente a mesma quantidade pescada. Por isso, frisou, “não temos de pescar mais, temos de pescar melhor, de forma sustentável. Nesse aspeto, Portugal tem feito um trabalho notável”, realçou.
O Presidente da Câmara, Luís Nobre, considerou que Viana do Castelo “é uma comunidade com uma relação real e ampla com o mar e com a pesca” e apresentou a Agenda 20-30 da Economia do Mar desenvolvida pelo município, em parceria com mais de 50 agentes do concelho, e que assenta em seis eixos fundamentais que pretendem alavancar a economia e o equilíbrio social e ambiental de Viana do Castelo: a criação de um Centro Tecnológico Internacional das Energias Renováveis Offshore; Plataforma Integrada de Desenvolvimento Sustentável e de Aceleração da Inovação Azul Ancorada no Porto Marítimo; Alavanca da Re-industrialização Azul através da construção, reparação e conversão naval; Destino de excelência de experiências náuticas sustentáveis de alto valor acrescentado; Maternidade de vida marina com Aquacultura e Pesca Sustentáveis; Rede de promotores da Economia do Mar em Viana do Castelo.
“Incorporamos, entretanto, um sétimo eixo, a Base / Ponto de Apoio Naval da Marinha em Viana do Castelo”, realçou o autarca, indicando que a estratégia do Município “inspira-se na que é também a estratégia do país”.
Já o keynote speaker, Miguel Marques, da Skipper & Wool, começou a sua intervenção afirmando que “esta é uma fileira a que Portugal deve dar todo o respeito, uma fileira que nos alimenta há 900 anos, que nunca vergou, nem com COVID nem com guerras”.
A edição de 2026 da Expo Fish Portugal decorre esta quinta-feira no Teatro Municipal Sá de Miranda, em Viana do Castelo, cidade com uma profunda vocação marítima e uma ligação secular à atividade piscatória. A manhã integrou também a mesa redonda “Da investigação ao mercado: como acelerar a inovação na fileira do pescado em Portugal?” com Maria Ana Martins (Instituto Português do Mar e da Atmosfera), Frederico Ferreira (Fórum Oceano), Diana Viegas (INESC-TEC.OCEAN), Manuel Tarré (Associação Nacional da Indústria pelo Frio e Comércio de Produtos Alimentares) e José Calheiros (Associação Portuguesa de Aquacultores).
Subordinada ao tema “Do Mar ao Mercado: Inovação como alavanca de competitividade”, a conferência aborda o impacto da inovação ao longo de toda a cadeia de valor do pescado, desde a produção e transformação até à comercialização e ao consumo.






















