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Gelataria do senhor Lima abre para a semana para garantir continuidade dos gelados caseiros

Rádio Alto Minho

06 Janeiro 2016, 17:22

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Três décadas depois da carrinha dos gelados que adoçaram a boca de diversas gerações com “receitas caseiras”, recheadas de “amizade e carinho” o senhor Lima, como é conhecido, vai abrir uma loja em Viana do Castelo, onde o filho irá garantir a continuidade do negócio familiar.

“Estou emocionado porque é o concretizar de um sonho, apesar de eu nunca ter sonhado chegar tão alto”, afirmou à Rádio Alto Minho José Lima.

Para o senhor Lima dos gelados, como é conhecido na cidade, a abertura na gelataria, “é uma recompensa e uma garantia que os gelados não vão morrer”.

“Um dia vou ter que parar e com a loja os gelados vão continuar com o meu filho”, frisou, referindo-se ao mais novo dos dois filhos que já criou uma página no facebook para divulgar o novo negócio.  Criada a 30 de dezembro passado a página já tem mais de 1.200 seguidores.

Com abertura prevista para a próxima semana em frente à Escola Secundária de Santa Maria Maior, a Gelataria-Café “vai servir tudo o que é servido na carrinha”, desde gelados, waffles, crepes e snacks.

Apesar do novo estabelecimento comercial, José Lima garantiu que a carrinha com que há 30 anos percorre os mesmos locais da cidade vai continuar a trabalhar.

No verão passado, junto à Praça de Touros de Viana, em entrevista à RAM, José Lima explicou que o segredo do negócio familiar, que herdou do pai, pasteleiro durante anos em França, não está apenas “na qualidade do gelado de fruta que serve, mas “na ligação” que mantém com os clientes.

“Posso ter filas e filas de pessoas mas não me apresso. Tem que ser um de cada vez, e com deve ser, com amizade e carinho para as pessoas”, afirmou José Lima.

Aos 64 anos orgulha-se de já ter “adoçado a boca” “a avós, pais e filhos”.

“Pelas minhas mãos já passaram avós, pais e filhos. E agora os netos arrastam os avós para vir comprar o geladinho”, disse.

No inverno, o Lima dos gelados estaciona a carrinha junto às escolas da cidade mas vende sobretudo cachorros e hambúrgueres. No verão, procura a praia fluvial junto ao rio Lima, para fazer negócio.

Ex-emigrante durante 25 anos em França, José Lima decidiu “seguir o sonho do pai”, e regressar à terra natal, de onde saiu com apenas seis anos para “tentar a sorte” com os gelados artesanais.

O investimento inicial rondou os 4.500 euros, nas máquinas e na velha carrinha que ainda hoje o ajuda “a ganhar a vida”.

“Na altura era muito dinheiro. Só com o dinheiro que gastámos para comprar a batedeira para fazer os gelados comprava, na altura, um Mercedes”, desabafou o antigo serralheiro de profissão.

Das receitas que herdou do pai não revela o segredo.

“É tudo artesanal. A batedeira, à moda antiga, é a mesma de há mais de 30 anos. Depois é fruta, e a base é um leite-creme, mas não digo mais nada”, contou.

Quando “o calor aperta”, na praia fluvial junto à desativada praça de touros da cidade, onde “estaciona” a velha carrinha, formam-se filas.

FOTO: ARMÉNIO BELO

 

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