IPVC leva inovação pedagógica e capacita docentes em São Tomé e Príncipe
29 Janeiro 2026, 16:42
Reforçar a qualidade do ensino superior, capacitar docentes e aproximar a formação académica das necessidades reais do país são os principais objetivos do projeto Erasmus Capacity Building +COESÃO, coordenado pelo Politécnico de Viana do Castelo, que arrancou em São Tomé e Príncipe como uma iniciativa estratégica de cooperação internacional, orientada para a inovação pedagógica, a Prática Baseada na Evidência e a construção de soluções sustentáveis nas áreas da educação e da saúde.
O kick-off do projeto teve lugar esta quinta-feira em São Tomé e Príncipe e marcou o início de um processo estruturado e participativo que coloca o ensino superior no centro do desenvolvimento sustentável, da coesão social e do futuro das novas gerações. Na sessão de abertura, Ana Paula Vale, vice-presidente do Politécnico de Viana do Castelo, com o pelouro da Internacionalização, e coordenadora do +COESÃO, justificou as mais-valias do projeto, dizendo que “o ensino superior é um pilar central do desenvolvimento sustentável, da coesão social e do futuro das novas gerações”, reforçando que o +COESÃO nasce de uma lógica de proximidade, escuta e construção conjunta.
O +COESÃO – afirmou Ana Paula Vale – não foi pensado como um projeto fechado, nem como um modelo a impor. Foi desenhado como “um processo progressivo, estruturado e participativo, orientado para responder às necessidades reais de São Tomé e Príncipe.”
A responsável explicou ainda que o projeto assenta numa estrutura clara, organizada em diferentes etapas, começando por um diagnóstico aprofundado das necessidades das instituições, dos docentes e dos estudantes, nas áreas da educação e da saúde. “Antes de propor mudanças, é essencial compreender o contexto. Esta fase não é meramente técnica. É um exercício de escuta e de envolvimento, que permite alinhar o projeto com a realidade santomense e garantir apropriação local”, destacou Ana Paula Vale.
Com base nesse diagnóstico, o +COESÃO, que terá a duração de três anos, avança depois para o desenvolvimento de metodologias de ensino e aprendizagem, centradas na Prática Baseada na Evidência, promovendo abordagens mais centradas no estudante, mais próximas da prática profissional e orientadas para o pensamento crítico. Na área da Enfermagem, haverá uma aposta na adaptação de metodologias já testadas em contexto europeu, enquanto na formação de professores, o objetivo passa por desenvolver um projeto-piloto ajustado às especificidades locais.
A capacitação de docentes assume-se como um eixo central do projeto, através da formação, do acompanhamento da implementação dos novos modelos pedagógicos e da promoção da aprendizagem entre pares, “criando condições para que as instituições ganhem autonomia, capacidade de continuidade e impacto sustentável.”
A par da Universidade de São Tomé e Príncipe (USTP) e do Instituto Universitário de Contabilidade, Administração e Informática (IUCAI), o projeto +COESÃO conta ainda com a parceria da Universidade de Múrcia, reforçando a dimensão internacional e a partilha de boas práticas no ensino superior.
A sessão de apresentação do projeto contou com a presença da reitora da USTP, do reitor do IUCAI, do diretor da Faculdade de Enfermagem da Universidade de Múrcia, assim como do diretor-geral do Ensino Superior de São Tomé e Príncipe, entre outras entidades, como a Embaixada da China, Guiné Equatorial e Angola, bem como das Nações Unidas.
Ana Paula Vale recordou ainda que a ligação a São Tomé e Príncipe tem raízes anteriores. “A minha primeira visita ao país foi em 2023, para a assinatura da parceria com a Universidade de São Tomé e Príncipe. Desde esse momento levei comigo a promessa de desenvolver um projeto de cooperação, particularmente nas áreas da formação de professores e de enfermeiros. Hoje, essa promessa concretiza-se com o +COESÃO”, concluiu.

























