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Janeiro sem bebidas alcoólicas. Aceitas o desafio?

Rádio Alto Minho

27 Dezembro 2023, 10:46

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O repto é feito pela Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF), que procura consciencializar a população para a doença hepática alcoólica, uma consequência que advém do elevado consumo de álcool. “Janeiro Sem Álcool” é o nome da iniciativa, que decorre no primeiro mês de 2024, nas redes sociais da associação.

Novo ano, novas metas. Fazer mais exercício, ler mais, começar a ver uma nova série… no fundo, mudar hábitos. Todos os anos repete-se o ritual de estabelecer metas para o novo ano. A pensar nisso, a APEF decidiu criar uma campanha que desafia os portugueses, sobretudo a população mais jovem, a passar os primeiros 31 dias de 2024 sem consumir bebidas alcoólicas.

“Com este desafio queremos apelar aos jovens portugueses para que adotem um estilo de vida mais saudável, durante todo o ano. O consumo de bebidas alcoólicas por parte dos jovens, sobretudo relacionado com a vida social e noturna, é muito preocupante. Segundo os dados do relatório do SICAD, podemos verificar que, no ano de 2022, em cada dez jovens de 18 anos, nove beberam álcool”, alerta Arsénio Santos, presidente da APEF.

O relatório “Comportamentos Aditivos aos 18 anos. Inquérito aos jovens participantes no Dia da Defesa Nacional – 2022: Consumos de Substâncias Psicoativas”, realizado pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), revela que o consumo de bebidas alcoólicas está a aumentar entre os jovens com 18 anos, em Portugal, sendo a sua prevalência mais expressiva no sexo feminino (86%), do que no sexo masculino (84%).

O consumo excessivo de álcool acarreta consequências graves para a saúde, com especial impacto no fígado.

“Um dos grandes exemplos dessas consequências é a esteatose hepática, mais conhecida por fígado gordo, a hepatite alcoólica e cirrose hepática; porém, também existem as consequências indiretas como as resultantes dos acidentes de viação, por exemplo. Estas situações, quando não tratadas ou prevenidas, lesam gravemente a saúde e podem, até, levar à morte. É, assim, crucial lembrar que é possível viver sem bebidas alcoólicas, o que não invalida que não se possam divertir, relaxar ou socializar”, explica Arsénio Santos.

O presidente da APEF  acrescenta ainda que “as pessoas adultas devem refletir sobre os seus comportamentos a nível social e nas consequências que os mesmos trazem para a sua saúde”, devendo “alertar os mais jovens para os riscos e problemas do consumo de bebidas alcoólicas, de que são exemplo a ocorrência de situações de mal-estar emocional e a adoção de comportamentos irrefletidos e potencialmente perigosos, de que são exemplo as relações sexuais desprotegidas”.

Esta é a terceira vez que “Janeiro Sem Álcool” é promovido em Portugal, sendo esta uma iniciativa que ocorre em simultâneo em vários países, desde 2013.

Em 2019, o consumo de álcool era mais elevado por parte dos homens, com 19,5 litros de álcool puro per capita por ano, do que das mulheres, que consumiam 5,6 litros, segundo dados do relatório do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), de 2021, e as últimas estimativas disponíveis do WHO Global Information System on Alcohol and Health (GISAH) para Portugal.

No mesmo relatório consta que em 2021 foram registados 39.874 internamentos hospitalares, com diagnóstico principal ou secundário atribuíveis ao consumo de álcool, envolvendo 29.965 indivíduos em Portugal, sendo que, em 2020, morreram 2.544 pessoas por doenças atribuíveis ao álcool, 26% das quais por doenças atribuíveis a doença alcoólica do fígado.

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