Depois de “Anora”, Mikey Madison troca Brooklyn pelo Facebook em “O Veredito Social”
15 Setembro 2026, 6:34
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“O Veredito Social”, o novo filme escrito e realizado por Aaron Sorkin, estreou nos cinemas portugueses a 8 de outubro e chegou a salas do Norte como o NOS Braga Parque e o Castello Lopes do GuimarãeShopping. Mikey Madison interpreta Frances Haugen, a engenheira de dados do Facebook que, em 2021, passou milhares de documentos internos da empresa ao Wall Street Journal. A comparação com “Anora”, o filme que lhe deu o Óscar de Melhor Atriz em março de 2025, tem acompanhado as críticas desde a estreia.
Em “Anora”, Madison era Ani, uma dançarina de 23 anos de um clube de Brighton Beach, em Brooklyn, que se casa em Las Vegas com o filho de 21 anos de um oligarca russo, ao fim de uma semana juntos. A família dele manda os seus homens de confiança anular o casamento, e a comédia romântica transforma-se numa perseguição por Nova Iorque.
O clube de Ani tem gerente, horário e clientes que entram pela porta. Fora do ecrã, muita gente neste meio já trabalha sem nada disso. No Porto, como em Nova Iorque, quem trabalha como acompanhante publica o próprio anúncio em sites de anúncios, escolhe as fotografias e as condições e fala diretamente com quem a contacta.
Um filme pequeno que ganhou tudo
“Anora” custou 6 milhões de dólares e fez 59,3 milhões nas bilheteiras de todo o mundo. Ganhou a Palma de Ouro em Cannes a 25 de maio de 2024 e, na cerimónia de 2 de março de 2025, cinco Óscares: Melhor Filme, Realização, Atriz, Argumento Original e Montagem. Sean Baker subiu ao palco quatro vezes na mesma noite, pela realização, pelo argumento, pela montagem e como produtor do Melhor Filme.
Não era um tema novo para o realizador. Em “Starlet” (2012), “Tangerine” (2015), filmado com um iPhone, e “Red Rocket” (2021), Baker já tinha posto no centro personagens da indústria do sexo, quase sempre com atores pouco conhecidos e orçamentos curtos.

Russo, sotaque e clubes de striptease
Para fazer de Ani, Madison aprendeu russo, frequentou clubes de striptease e estudou o sotaque de Brooklyn. Baker contratou como consultora Andrea Werhun, escritora e atriz canadiana que, em 2018, publicou “Modern Whore”, um livro de memórias sobre os anos em que trabalhou no meio.
Até aí, Madison era sobretudo conhecida pela série “Better Things” e por papéis em “Era Uma Vez em… Hollywood” e “Gritos”. “Anora” levou-a, aos 25 anos, ao Óscar de Melhor Atriz, à frente de Demi Moore, que muitos davam como favorita por “A Substância”.
Os agradecimentos que deram que falar
Ao receber o Óscar de Argumento Original, Baker agradeceu à “comunidade de trabalhadores do sexo”: “Partilharam as suas histórias e as suas experiências de vida comigo ao longo dos anos. O meu mais profundo respeito.” Madison fez o mesmo no discurso de Melhor Atriz e prometeu continuar a “apoiar e ser uma aliada”. Nos bastidores, o realizador disse que o trabalho sexual carrega “um estigma incrível e injusto” e defendeu a descriminalização.
Em Portugal, o Observador destacou no dia seguinte que realizador e atriz dedicaram os prémios, em parte, às trabalhadoras do sexo, com quem Madison contactou para preparar a personagem.
De Brooklyn ao Facebook
“O Veredito Social” leva-a para outro mundo. O filme segue a investigação de Jeff Horwitz, o jornalista do Wall Street Journal interpretado por Jeremy Allen White, a partir dos documentos que Haugen tirou da empresa e que alertavam para os efeitos nocivos das plataformas. Jeremy Strong faz de Mark Zuckerberg, e o elenco inclui ainda Wunmi Mosaku, Betty Gilpin, Billy Magnussen e Bill Burr. Sorkin, que escreveu “A Rede Social” em 2010, regressa assim ao Facebook dezasseis anos depois.
A receção tem sido dividida. Nos Estados Unidos, onde estreou a 9 de outubro, o filme abriu em quinto lugar, com 5 milhões de dólares, e ficou-se pelos 55 % de críticas positivas no Rotten Tomatoes.
Para quem conheceu Madison como Ani, a mudança é grande: sai a dançarina de Brighton Beach, entra uma engenheira de dados com uma pilha de documentos nas mãos. O filme tem classificação M/12 e dura 112 minutos.






















