Loja de rua em Viana ajuda sem -abrigo a construir novo projeto de vida e apoia quem precisa
28 Novembro 2015, 15:32
Uma “Street Store” , a decorrer hoje em Viana do Castelo, foi a forma escolhida pela associação Methamorphys para ajudar os sem-abrigo que acolhe a preparar um novo projeto de vida.
“Eu já estou a conseguir. Ajudei a montar a feira e agora estou a ajudar as pessoas que aqui vêm. Estão a ajudar-me, e eu também gosto de ajudar quem precisa”, disee Rui Oliveira.
Com 37 anos de idade, Rui tem um passado, ainda recente, ligado ao alcoolismo e sabe o que é dormir na rua, andar por várias instituições em busca do tratamento que lhe permita recomeçar a vida.
Não esquece o dia em que chegou ao Centro de Acolhimento Temporário (CAT), da Methamorphys.
“Têm-me apoiado em tudo”, sustentou safisfeito com os progressos que tem vindo a alcançar, tanto no que diz respeito à dependência do álcool, como na construção do novo rumo que quer dar à vida.
“Eu era jardineiro, e agora ando a fazer formação como operador agrícola”, explicou.
A “Street Store”, conceito que surgiu na África do Sul, para ajudar pessoas carenciadas foi introduzido em Portugal em outubro passado. Em Viana do Castelo a ideia inicial da feira de rua foi reajustada pela Methamorphys com o objetivo de dotar os utentes da instituição de competências que os habilitem a construir um novo projeto de vida.
“Aparecem pessoas com diferentes problemas, como desemprego prolongado, passado de consumos, ou doença mental. A ideia, mais do que os alojar, é trabalhar com eles um projeto de vida e fazê-los sentirem-se úteis, e pessoas produtivas na sociedade”, afirmou a diretora do CAT, Mafalda Ribeiro.
Os 15 utentes daquela estrutura foram envolvidos em todo o processo que culminou com a realização da loja de rua, que abriu portas cerca das 10:00 e se vai prolongar até às 17.00, num espaço junto ao estabelecimento prisional da cidade, cedido pela Câmara local.
Mafalda Ribeiro adiantou que a “Street Store” é um conceito que veio para ficar em Viana do Castelo, até como forma de “ir quebrando alguns mitos”.
“O intuito é crescer e ir quebrando os mitos e preconceitos de uma cidade pequena, que ainda tem muito coladas as questões da vergonha, e da pobreza envergonhada. Hoje em dia, toda a gente precisa de qualquer coisa”, frisou.
O conceito de “Street Store” consiste numa loja de rua para pessoas em situação de vulnerabilidade social, onde se vai “vender” roupa, sapatos e livros mas em que o dinheiro não entra.
Maria de Fátima, de Barroselas, freguesia da margem esquerda do rio Lima, até à cidade, porque soube da feira “através da internet” e ficou agradada com a ideia de poder trocar o que já não utiliza, por algo que lhe faça falta, sobretudo “aos netinhos”.
“As pessoas muitas vezes têm coisas em casa que não utilizam, no meu caso trouxe um saco de roupa de criança, e assim a gente troca. Trouxe roupa de criança dos 18 a 24 meses, e levo agora para 5/6 anos, para os meus netos”, explicou.
Maria Martins vive na cidade, e soube da feira solidária, por acaso, quando passava pela rua onde está a decorrer.
Contou ter sido confrontada com “dias difíceis” quando o marido esteve “desempregado durante muito tempo”. Agora já trabalha mas “a vida não está muito fácil, e não permite comprar grandes coisas”.
Na feira procurou agasalhos e admitiu não ter problemas em usar o que já foi de outros: “Há pessoas que têm muito preconceito mas eu não. Vou muitas vezes à feira, e compro roupa em segunda mão”, frisou.
Na loja de rua estão expostos vários artigos, desde peças vestuário para adultos e crianças (incluindo pijamas e roupa interior), sapatos, roupa de cama, produtos de higiene, sendo que os interessados podem levar o que precisarem.
























