Nina, a cadela abandonada que passou a bombeira e “alegra” voluntários de Viana
27 Setembro 2015, 11:52
Traçada de boxer com castro laboreiro, Nina, a cadela de apenas cinco meses que vivia nas ruas de Viana do Castelo, é a nova recruta dos bombeiros voluntários da cidade e tem como missão ”alegrar” o quartel. Já enverga um colete vermelho e, em breve, vai ter um equipamento oficial, com as insígnias da corporação.
“Quando algum de nós sai para uma emergência e é algo péssimo, chegamos aqui e temos a Nina à nossa espera. É uma alegria, ajuda-nos a esquecer um bocado aquilo por que uma pessoa passa”, disse à Lusa a estagiária Juliana Rodrigues.
Juliana é das mais novas no quartel mas é uma das mais próximas da cadela pelo “amor” que tem “sempre teve pelos animais.
A jovem de 18 anos ficou satisfeita com “surpresa” da chegada, este mês, da Nina que veio ajudar a recuperar da perda da última mascote.
O cão batizado com o nome Fogo apareceu, em agosto passado à porta do quartel e “desfaleceu”. Apesar de doente foi acolhido pelos bombeiros que, junto da população da cidade, conseguiram angariar o dinheiro necessário para a operação ao tumor que o animal apresentava, e à qual acabaria por não resistir.
“A Nina não substitui o Fogo, mas ajuda no luto canino, e é a nossa menina”, desabafou Juliana.
A cadela foi adotada na associação “Vila Animal” que a recolheu das ruas. A mesma associação a quem os bombeiros decidiram entregar o dinheiro que tinham angariado para os tratamentos do Fogo, mas que acabou por não ser utilizado.
“Foi aí que descobrimos a Nina. Mal nos viu gostou de nós, e nós dela. Decidimos trazê-la”, afirmou Paulo Camelo.
Para este tripulante de ambulâncias de socorro além de ser “uma companhia amiga”, durante os turnos de serviço, a adoção do animal é também uma forma de “ajudar um animal que não tinha abrigo”.
Para “aproximar” a corporação da cidade que serve, em meados deste mês, a Nina passou a ter página no facebook. Nas primeiras 48 horas juntou 359 amigos, e está perto de alcançar os 800 amigos.
É nas redes sociais que a corporação relata o dia-a-dia da Nina, para que as pessoas “possam acompanhar o seu crescimento” e pode ser também “uma forma de, quem quiser, poder ajudar com donativos”.
A nova recruta dos bombeiros voluntários “caiu nas graças” da direção: “A direção só podia ver com bons olhos esta atitude deles”, afirmou o presidente da Associação Humanitária, Luciano Moure.
“Ela adaptou-se bem ao pessoal, gosta do pessoal, e o pessoal gosta dela. É também uma forma da corporação interagir com a cidade e com as associações da cidade”, acrescentou.
A união em torno da cadela mobiliza os cerca de 95 elementos que a compõem, e que se dividem nas tarefas diárias de alimentação, e higiene.
“A maioria do pessoal aceitou muito bem o animal, e a Nina não é esquisita e interage com todos”, afinal, “todos ajudam a custear as despesas”, frisou.






















