Pequena Pesca esteve em discussão em Vila Praia de Âncora
06 Novembro 2023, 11:02
A pequena pesca foi tema, este sábado, de um congresso realizado em Vila Praia de Âncora. O evento, que contou com a presença da Secretária de Estado das Pescas, Teresa Coelho, permitiu uma reflexão multifacetada, reunindo responsáveis dos vários setores ligados à pesca.
Na sua intervênção, Teresa Coelho destacou ainda Vila Praia de Âncora e Caminha enquanto zonas com comunidades piscatórias muito importantes no país, uma vez que têm excelentes produtos e condições, mas que também têm tido problemas muito graves, como o Porto de Vila Praia de Âncora. “Estamos a receber contributos das diferentes entidades, estamos a analisá-los, mas ainda este mês ou pelo menos até ao final do ano voltaremos cá para discutir convosco e fazer o ponto de situação, para ver como vamos resolver esta situação do Porto”, prometeu.
A Secretária de Estado deu ainda os parabéns aos pescadores e aos seus organismos. Sublinhou que Portugal é uma zona em rendimento máximo sustentável e é a primeira zona da Europa sem sobrepesca.
Por último, reforçou a importância da associação de saberes entre investigação e pesca, que se complementam e se enriquecem, favorecendo a pesca a todos os níveis.

Teresa Coelho prometeu prometeu regressar em breve para fazer o ponto de situação sobre a solução para o Portinho
O presidente da Câmara Municipal de Caminha, Rui Lages, sublinhou que a economia local é alicerçada em boa parte na pequena pesca, sustento de muitas famílias e de muitas empresas. Uma situação favorecida pela situação do território de Caminha: “Somos um concelho privilegiado em termos geográficos. Somos banhados pelo Oceano Atlântico, onde o primeiro pedaço de terra lusitana encontra o mar. Temos um rio internacional, o rio Minho, e dois rios com uma importância comunitária gigantesca, falo-vos do rio Âncora e do rio Coura. Por isso mesmo, estas gentes sempre tiveram uma relação umbilical com a pesca”.
O autarca aproveitou ainda para referir alguns assuntos que, na sua opinião, merecem uma reflexão. A “elevada burocracia que um patrão tem de enfrentar para lançar as redes ao mar”, ou as exigências e requisitos que a União Europeia impõe – um desafio para se equilibrar sustentabilidade e subsistência.
Foram ainda abordados dois assuntos que estão no centro das preocupações do Município, por um lado o Plano de Afetação para as Energias Renováveis, que se encontra em discussão pública, referindo que também ele trará novos desafios para as comunidades locais.

Rui Lages lembrou que, segundo as Nações Unidas, o setor das pescas emprega no mundo mais de 200 milhões de pessoas, mas é cada vez mais difícil aliciar as novas gerações.
Relativamente ao Portinho de Vila Praia de Âncora, Rui Lages também levantou algumas questões, dizendo que “já há muito trabalho feito, mas precisa de financiamento”. Relativamente ao dia a dia dos pescadores, o autarca referiu: “Só queremos mais segurança, para fortalecer esta economia, tão importante”.
No final do evento, que contou com painéis com os temas “Perspetivas e Valorização da Pequena Pesca”, “Mulheres da Pesca”, “Desafios da Pequena Pesca Ibero-Americana”, “Potencialidades e desafios futuros”, a Secretária de Estado das Pescas defendeu que alguns dos assuntos debatidos merecem um aprofundamento, dizendo que levava deste Congresso um grande “caderno de encargos”.





















