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Prédio Coutinho pode ser exemplo nacional de desconstrução de edifícios

Andrea Cruz

13 Março 2018, 10:51

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O prédio Coutinho, em Viana do Castelo, com demolição prevista desde 2000 pode vir, afinal, a ser desconstruído e a transformar-se num dos primeiros casos, em Portugal, de desmantelamento de edifícios velhos.

Em vez da implosão, a alternativa da desconstrução de edifícios prevê o aproveitamento e a reutilização dos materiais, protegendo a natureza de extrações de matérias primas, tal como preconiza o plano para a economia circular, aprovado pelo Governo em novembro de 2017.

A desconstrução — em alternativa à simples demolição — do famoso prédio Coutinho, em Viana do Castelo, é um dos dois casos a nível nacional apontados pelos ambientalistas da Quercus como exemplo das vantagens de desmantelar edifícios velhos em vez de demolir.

O outro é um edifício da Quercus, situado em Castelo Branco, numa área de reserva natural, que será reabilitado e transformado num projeto de turismo natureza.

Num projeto em que a associação de defesa do ambiente se associa ao Portal da Construção Sustentável, o objetivo é tentar provar que, embora desmantelar um edifício em vez de o demolir, separar as portas e as fechaduras, por exemplo, possa dar mais algum trabalho aos construtores, estas ações “de certeza vão possibilitar uma maior reutilização de todos os materiais”, explicou a ambientalista do grupo de Trabalho da Construção Sustentável da Quercus, Aline Guerreiro.

A ideia de desconstruir o prédio Coutinho foi sugerida pelo ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes quando, durante a cerimónia de assinatura dos contratos com o Fundo Ambiental, elogiou da arquiteta da Quercus e lhe lançou o desafio: “Veja lá se começa pelo prédio Coutinho. Até o betão pode encher estradas”, disse o governante.

Aline Guerreiro já solicitou uma reunião e acesso às plantas do edifício à Câmara de Viana do Castelo para iniciar um estudo sobre os materiais com os quais o prédio foi feito:

“Avaliamos um piso, os outros serão parecidos. Idealmente entraríamos num deles”, disse Aline Guerreiro.

A demolição já foi adjudicada por quase 1,2 milhões de euros e o presidente da autarquia, José Maria Costa, avançou que tal deverá acontecer no primeiro trimestre deste ano.

A opção por desmantelar os edifícios “permite reutilizar mais materiais do que aqueles que têm vindo a ser usados” pois são retirados produtos separados, de cada tipo, e em melhores condições.

“Podemos reutilizá-los como estão, sem modificações, sem precisar consumir mais matéria prima ou energia para fazer novos”, especificou A arquiteta da Quercus.

Para realçar a importância desta mudança, Aline Guerreiro cita um estudo da Universidade da Florida, nos Estados Unidos, em que foram desmantelados vários edifícios e a taxa de reutilização dos materiais está entre 50 e 90%.

Sobre o prédio Coutinho disse que o objetivo passa por “perceber quais as vantagens de uma reabilitação a reaproveitar e reutilizar os materiais existentes”, referindo estimativas a apontar que 75% de tudo o que é extraído da natureza é da responsabilidade do setor da construção.

Atualmente, a lei obriga a integração de 5% de material reciclado nas obras públicas, exigência que “é cumprida” com o enchimento das camadas de enchimento de bases onde vai ser construído o edifício, por baixo dos pavimentos, acrescentou.

Uma diretiva europeia fixa para 2020 uma meta de 70% de reutilização, reciclagem e valorização de materiais na construção.

 

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