Várias escolas encerradas no distrito de Viana devido a greve
02 Novembro 2022, 14:42
A adesão à greve dos professores, em protesto contra o que consideram uma falta de investimento do Governo na educação, estava hoje às 09:30 próxima dos 90%, à semelhança da paralisação anterior, segundo o secretário-geral da Federação Nacional de Educação.
“Os níveis de adesão estão muito próximos dos da greve anterior, ou seja, na ordem dos 90%. Há muitas escolas fechadas de norte a sul do país e outras estão abertas, mas não estão a decorrer aulas por falta de professores”, disse João Dias da Silva, remetendo para mais tarde dados concretos sobre a paralisação.
Esta rádio procurou junto dos representantes dos professores no distrito de Viana do Castelo os números de algumas escolas.
Muitas têm greve a 100% e outras tiveram que encerrar devido ao facto de não estarem reunidas as condições mínimas para o lecionamento.
Em Caminha as EB1/JI de Caminha, Vilarelho, Igreja (Âncora) e Moledo a adesão à greve foi de 100%. No mesmo concelho, na Sidónio Pais em 204 professores 51 fizeram greve.
Em Ponte de Lima a adesão à greve também é significativa. Por exemplo, no Centro Escolar de Lagoas todos os professores fizeram greve, assim como nos Jardins de Infância de Brandar e Cepões. A escolas de Poiares e Vitorino Piães também encerraram por causa da greve.
Já na sede agrupamento de Arcozelo, a adesão foi de 23% e no centro escolar de Arcozelo de 38%
Em Viana do Castelo o Centro Escolar de Barroselas teve greve a 100% e na Escola Básica e Jardim de Infância (JI) da Meadela foi de 100% de adesão na parte básica da escola e no JI de 50%. No Monte da Ola a escola básica teve que encerrar, depois de três dos quatro professores terem feito greve.
Em Lanhenses a adesão foi de 100% no primeiro ciclo e jardim de infância está apenas um professor (em quatro) em greve.
A Escola Básica da Abelheira teve que encerrar, pois em nove professores faltaram oito. Já na EB do Calvário na Meadela em cinco professores faltam três.
Em Monserrate, na EB/JI, de 14 professores, quatro faltaram, mas na EB1 do Carmo só um professor não fez greve em oito.
Em Vila Nova do Cerveira o Centro Escolar de Cerveira tem nove professores em greve de 11.
O sindicato referiu a esta rádio que um grupo de dirigentes está em Lisboa para participar na manifestação marcada para a frente da Assembleia da República.
Os professores exigem a valorização da carreira docente, o combate à precariedade e a necessidade de promover o rejuvenescimento do setor.
As várias estruturas sindicais associadas aos professores e educadores escolheram o dia de hoje para fazer coincidir a greve nacional com a intervenção do ministro da Educação, João Costa, na Assembleia da República, em defesa da proposta orçamental para o setor no próximo ano.
“É este subfinanciamento, que se está a tornar crónico, que impede a melhoria das condições de trabalho nas escolas, a melhoria das condições de aprendizagem dos alunos e, no caso dos profissionais docentes, que impede a tomada de medidas que confiram atratividade à profissão, levando os jovens professores a abandonarem, os jovens que concluem o secundário a não procurarem os cursos de formação de docentes e os mais velhos a ansiarem pelo momento da sua aposentação”, referiu em comunicado, em 20 de outubro, a Fenprof.
Já a FNE apelou à criação de estímulos para atrair professores para zonas mais desfavorecidas ou com falta de profissionais, à conclusão do processo de recuperação do tempo congelado e ao respeito pelos limites do tempo de trabalho, além da substituição do atual modelo de avaliação de desempenho.
Por sua vez, o SINDEP justificou o uso da “legítima arma da greve” na expectativa de que leve o Ministério da Educação a “voltar à mesa para uma verdadeira negociação e não para um mero ‘faz de conta que negociamos’”.
A estrutura sindical criticou ainda a ausência de uma medicina de trabalho para o setor.
A ASPL lembrou que Portugal fica aquém das metas de investimento no ensino observadas pela OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico e que deveriam ser aumentadas as verbas para eliminar o défice no custo anual de formação dos alunos e na carreira docente, enquanto o SPLIU defendeu um processo negocial sério com a tutela, resumindo que “este é o momento de os educadores e professores retomarem a união e assumirem o seu descontentamento de forma unida”.





















