A derrota de Portugal frente à Espanha no Euro Feminino 2025 e as suas implicações futuras
07 Julho 2025, 8:26
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A noite de 3 de julho de 2025, em Berna, a nossa seleção feminina entrava em campo para o seu primeiro jogo no Euro 2025. O adversário era a poderosa Espanha, atual campeã do mundo. Claro está que a tarefa se avizinhava difícil. Contudo, a ambição de finalmente passar a fase de grupos alimentava o sonho de todos nós, e muitos adeptos aproveitavam o entusiasmo para apoiar a equipa com o código promocional Betano, incentivando a participação em iniciativas que celebravam o espírito desportivo.
O que se seguiu foi um choque de realidade. A pesada derrota de Portugal frente à Espanha por 5-0 deixou um gosto amargo. Sobretudo, o golo sofrido com apenas 87 segundos de jogo foi um balde de água fria. Parece que, desde o início, algo não estava bem. A superioridade espanhola foi evidente e confrontou as nossas aspirações de forma abrupta, deixando uma frustração imensa e a necessidade de perceber o que falhou.
Uma muralha que afinal era de papel
Francisco Neto apostou numa estratégia com uma linha defensiva reforçada. A ideia era ter muitas jogadoras atrás da linha da bola. Em vários momentos, a equipa defendia com as onze jogadoras. Chegamos a ver uma linha com seis atletas na defesa. Ainda assim, esta densidade numérica não se traduziu em segurança. A defesa portuguesa mostrou-se constantemente desorganizada e frágil. A Espanha formava triângulos e aproveitava os maus alívios da nossa defensiva.
De facto, ter muitas jogadoras a defender não serviu de nada sem a agressividade e a coordenação necessárias. A derrota de Portugal frente à Espanha começou a ser construída aqui, numa defesa que, apesar de numerosa, foi incapaz de travar o ataque contrário.
Um meio-campo que nunca existiu
A própria Tatiana Pinto admitiu no final que faltou intensidade à equipa. Essa passividade foi fatal, sobretudo na primeira parte do encontro. A Espanha dominou por completo o meio-campo. Controlou a posse de bola de forma avassaladora. Portugal, por outro lado, sentiu enormes dificuldades na saída de bola. A pressão alta das espanholas asfixiou a nossa equipa.
Além disso, a estratégia de Espanha foi cirúrgica. Elas sabiam onde pressionar para nos criar problemas. A derrota de Portugal frente à Espanha teve neste aspeto tático uma das suas principais razões. Sem conseguir ter bola, a nossa seleção nunca conseguiu impor o seu jogo nem reagir à avalanche ofensiva espanhola.
Uma frente de ataque completamente inofensiva
Ofensivamente, a equipa sentiu imensas dificuldades para conseguir sequer passar do meio-campo de forma controlada. Consequentemente, as oportunidades de golo foram inexistentes.
A Espanha tornou impossível que Portugal criasse uma única ocasião clara. Rematámos à baliza apenas uma vez durante todo o jogo. A estratégia passava por aproveitar a velocidade das nossas avançadas em transições rápidas.
Contudo, essa tática falhou em todas as tentativas. Jessica Silva ainda tentou remar contra a maré. Com a sua garra habitual, foi a jogadora que mais perigo criou. Mas os seus esforços individuais foram insuficientes para mudar o rumo dos acontecimentos.
Uma segunda parte com duas caras distintas
Ao intervalo, ambos os treinadores fizeram alterações. Francisco Neto procurou dar mais estabilidade à equipa. As entradas de Ana Borges e Ana Seiça pareceram surtir algum efeito. Portugal pareceu, de facto, mais estável e coeso na segunda metade. A equipa conseguiu jogar melhor e com mais intensidade.
No entanto, é preciso ser honesto nesta análise. A Espanha, com uma vantagem de 4-0, entrou em campo muito mais relaxada. A intensidade da pressão espanhola diminuiu consideravelmente. Houve muito menos perigo junto da nossa baliza. Portanto, a melhoria portuguesa pode ter sido influenciada por esta gestão de esforço do adversário.
O foco de Neto, logo após o apito final, foi na recuperação para o jogo seguinte.
As contas de uma calculadora que não perdoa
Esta goleada coloca Portugal numa posição muito delicada no Grupo B. Somos últimos, com zero pontos e uma diferença de golos de -5. A Itália e a Espanha lideram com três pontos. Isto significa que o próximo jogo, contra a Itália, ganha contornos de uma autêntica final. Uma nova derrota praticamente dita o nosso adeus à competição.
A pesada diferença de golos é um fardo extra. Mesmo que consigamos vencer os próximos dois jogos, este fator pode ser decisivo em caso de empate pontual. Para o futuro, o corpo técnico e a federação precisam de traçar um plano claro para diminuir a diferença para as grandes potências. Algumas medidas parecem essenciais.
- Implementar sistemas táticos mais flexíveis e adaptáveis.
- Trabalhar a intensidade e a agressividade desde o primeiro minuto.
- Melhorar a coordenação defensiva e a comunicação em campo.
- Desenvolver mecanismos de transição defesa-ataque mais eficazes.
- Aumentar a exposição das nossas jogadoras a jogos de alta competição.
Levantar a cabeça e olhar para o futuro
Esta derrota, por mais dura que seja, não pode ser o fim do caminho. É preciso recordar que este não é um incidente isolado. Já sofremos derrotas pesadas contra este mesmo adversário.
Além disso, nas últimas grandes competições, nunca passámos da fase de grupos. O futebol feminino em Portugal vive um período de grande crescimento. Há cada vez mais jogadoras profissionais e melhores condições nos clubes. Esse progresso é fundamental. Contudo, é preciso que esse talento se traduza numa seleção nacional mais competitiva. Esta derrota deve servir de lição. É preciso perceber onde estamos a falhar para podermos corrigir.
A capacidade de nos levantarmos após uma queda tão grande irá definir o nosso caráter. O caminho no Euro 2025 ficou mais difícil, mas a resiliência será a chave para transformar esta experiência num passo em frente para o futuro.




















