EMISSÃO ONLINE
OUVIR..
Regional

Alumni da UNIPVC apresentam projeto de design em Oslo

Rádio Alto Minho

15 Setembro 2026, 16:09

Acessibilidade

Publicidade

António Ribeiro e Raquel Ribeiro têm 26 e 25 anos, dois percursos académicos feitos na Universidade Politécnica de Viana do Castelo e uma marca criada a dois. A Mosquito acaba de dar o primeiro passo internacional com a apresentação do cadeirão NYVEN na Oslo Design Fair, principal ponto de encontro da indústria do design, mobiliário e decoração de interiores na Escandinávia. Por detrás da peça que chegou à Noruega estão dois jovens designers, uma rede de produção portuguesa e uma ideia que começou a construir-se quando ambos ainda estudavam na UNIPVC.

António Ribeiro é de Vila Verde e Raquel Ribeiro é de Moreira de Cónegos, Guimarães. Ambos concluíram na Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG-UNIPVC) o curso de licenciatura em Design do Produto e o mestrado em Design Integrado, seguindo depois percursos profissionais distintos que acabariam por contribuir para a complementaridade que hoje encontram na Mosquito.

António trabalhou numa empresa ligada à produção de fachadas em betão para exportação. A experiência permitiu-lhe conhecer o processo que leva um produto do desenho e das especificações à produção e execução, num contexto direcionado para mercados internacionais.

Raquel iniciou o percurso profissional na área dos projetos 3D, aprofundando competências de representação, visualização e desenvolvimento de espaços que viria a transportar para a componente de interiores da Mosquito.

Uma ideia individual que se transformou num projeto a dois

A Mosquito não nasceu, desde o primeiro momento, como um projeto conjunto. António começou por desenvolver o conceito daquilo que pretendia criar, definir para quem queria trabalhar, construir a linguagem da futura marca e trabalhar o nome e a identidade visual.

Quando decidiu concentrar-se sobretudo no desenvolvimento de peças de autor, percebeu também que o projeto precisava de uma componente forte de interiores. E Raquel tinha as competências que procurava.

Há, no entanto, um episódio do mestrado que ambos continuam a associar ao momento em que a ideia começou verdadeiramente a ganhar forma. Durante uma reunião, a docente Liliana Soares disse que a Mosquito estava a nascer e mostrou-se satisfeita por ver o projeto avançar.“Naquele momento, talvez ainda não tivéssemos consciência da dimensão que poderia vir a ter, mas aquela frase acabou por marcar uma mudança”, recordam.

Depois dessa reunião, Raquel mostrou disponibilidade para ajudar António na vertente dos projetos 3D. Ele já conhecia a capacidade técnica e artística da colega, a forma como trabalhava e os valores que partilhavam. Mais do que encontrar alguém para colaborar numa área específica, percebeu que podia encontrar alguém com quem construir o projeto.

A Mosquito começou, assim, a ser pensada a dois: António mais dedicado ao produto e à direção criativa e Raquel à vertente dos interiores, com diferentes competências a convergirem numa mesma identidade.

Mosquito para “não passar despercebidos”

O nome também conta uma parte da história. António e Raquel procuravam algo marcante, divertido e fácil de memorizar. Mosquito cumpria esses requisitos, mas acabou por ganhar outro significado à medida que o projeto se desenvolveu. “Quando não temos grandes estruturas, nem uma posição consolidada no mercado, temos de encontrar outras formas de entrar, de nos fazer notar e de criar espaço para nós”, explicam.

Tal como um mosquito consegue chegar onde não é esperado e fazer-se notar, os dois designers encontraram no nome uma forma de traduzir a atitude com que encaram uma marca que começou do zero. “Viemos de baixo e sabemos que, para chegar às pessoas e aos mercados, não basta estar presente. É preciso ter personalidade e criar impacto.”

Essa procura por uma identidade própria é também, reconhecem, um dos maiores desafios do projeto. Perante a pressão para seguir aquilo que já funciona ou aproximar-se do que o mercado espera, António e Raquel querem preservar os princípios com que começaram. “Não queremos fazer o vulgar. Queremos que aquilo que criamos tenha sentimento e verdade.”

NYVEN leva produção portuguesa à Oslo Design Fair

É essa identidade que procuram materializar na NYVEN, o cadeirão escolhido para a primeira apresentação internacional da Mosquito, na Oslo Design Fair. A participação aconteceu no âmbito da exposição Living in Between, da Associative Design.

A Oslo Design Fair é a maior feira de compras da Noruega e o principal ponto de encontro para a indústria do design, mobiliário e decoração de interiores na Escandinávia, dando outra dimensão à estreia internacional de uma marca ainda no início do seu percurso.

O conceito inicial da NYVEN partiu de António, responsável pela direção criativa e pelo desenvolvimento das peças de autor. A partir daí, o processo tornou-se conjunto. Os desenhos finais e o desenvolvimento em 3D foram realizados com Raquel, cruzando a intenção inicial da peça com diferentes soluções técnicas e formais.

O resultado procura romper com linhas mais convencionais sem abdicar da funcionalidade e do conforto. António e Raquel descrevem a NYVEN como “imponente, mas não intimidante”, com personalidade, mas capaz de estabelecer uma relação com quem a observa e, sobretudo, com quem a utiliza.

E se o desenho nasceu na Mosquito, a execução envolve diferentes saberes e territórios portugueses. A estrutura foi desenvolvida com um artesão de Famalicão, a componente de carpintaria é realizada internamente pela Mosquito e o estofamento está a cargo de um profissional de Paços de Ferreira.

A madeira de nogueira e a pele genuína trabalhada para adquirir um efeito envelhecido estão entre os materiais escolhidos não apenas pelas suas características, mas também pela experiência que proporcionam e pela capacidade de ganharem caráter com o passar do tempo.

“Para nós, produzir em Portugal significa valorizar esta rede de conhecimento e manter uma relação próxima com quem transforma o projeto em realidade.”

“Sentimos sobretudo responsabilidade”

A chegada a Oslo resultou de uma relação que António e Raquel vinham a construir com a Associative Design. Ainda antes de a Mosquito ter uma presença consolidada no mercado, procuraram conhecer entidades que trabalhassem na valorização e promoção da produção portuguesa, mostrando as peças e partilhando aquilo que estavam a desenvolver. O convite para integrar a exposição Living in Between surgiu nesse contexto.

Quando receberam a confirmação, a primeira reação não foi apenas de entusiasmo. “Sentimos sobretudo responsabilidade”, contam. “Falamos frequentemente sobre a importância do trabalho português e sobre o conhecimento dos profissionais com quem trabalhamos. Ter a oportunidade de levar uma das nossas peças para um contexto internacional significava também ter de demonstrar, através dela, aquilo em que acreditamos.”

A NYVEN encontrou em Oslo uma reação que os dois classificam como “muito positiva”, particularmente pela utilização de materiais puros e pela relação direta que a peça estabelece com a matéria. A presença permitiu ainda contactos com arquitetos, designers e potenciais parceiros comerciais.

As conversações estão numa fase inicial e os dois preferem avaliar as oportunidades antes de decidir os próximos passos. “Não queremos entrar num mercado apenas por entrar”, explicam. Procuram parceiros que compreendam a identidade e a forma de trabalhar da Mosquito e com os quais possam construir relações consistentes a longo prazo.

Da UNIPVC, “a coragem para tentar”

A primeira apresentação internacional leva António e Raquel a olhar também para o percurso que fizeram antes da criação da marca. E, quando procuram aquilo que permanece da passagem pela UNIPVC, não escolhem uma ferramenta técnica específica.

Destacam os docentes Liliana Soares e Ermanno Aparo, que consideram fundamentais nesse percurso. Mais do que a transmissão de conhecimento, recordam o incentivo para experimentar mesmo quando tinham receio, para procurar parceiros, apresentar ideias, bater a portas e não abdicar daquilo em que acreditavam.

O ensino prático e as pessoas que encontraram durante a formação são, por isso, duas das dimensões que mais valorizam quando recordam a passagem pela Universidade. Hoje, quando olham para a Mosquito e para a NYVEN apresentada em Oslo, reconhecem também aí parte dessa aprendizagem. “Não estamos necessariamente a aplicar uma ferramenta específica que aprendemos na Universidade. Estamos a aplicar a coragem para tentar, a capacidade de procurar soluções e a confiança para acreditar que uma ideia que começa pequena pode chegar muito mais longe.”

Publicidade

Rádio Alto Minho - Blisq Creative – Agência de Comunicação
Rádio Alto Minho - Casa Peixoto

Publicidade

Rádio Alto Minho - Hospital Particular 01
Rádio Alto Minho - Petropneus NOTICIAS
Rádio Alto Minho - adam

Publicidade

Rádio Alto Minho - UNIPVC – Candidaturas

Publicidade

APP ALTO MINHO

APP - Rádio Alto Minho

Publicidade