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Cordão humano à porta de escola de Valença protesta contra violência

Andrea Cruz

22 Outubro 2019, 12:23

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Mais de 100 professores, pais e auxiliares participaram esta manhã num cordão humano para exigir uma escola mais segura, em Valença. A iniciativa, promovida pela comunidade escolar, decorreu à porta da escola EB 23/S, integrada no agrupamento de Escolas Muralhas do Minho.

A iniciativa começou a formar-se cerca das 10:00, organizada pela comunidade educativa, e circundou todo o espaço exterior da escola EB 23/S daquela cidade do distrito de Viana do Castelo. No recreio do estabelecimento de ensino, junto às grades, dezenas de alunos assistiam ao protesto, alguns exibindo cartazes onde se podia lei : “Não há violência na escola” e “Queremos uma convivência sã na escola”.

No espaço fronteiro à escola, no interior do cordão humano que a comunidade educativa formou contra a violência, concentraram-se cerca de duas dezenas de pessoas de etnia cigana que gritaram “Não ao Racismo”.

Os protestos, ambos pacíficos, acompanhados de perto por militares da GNR, surgem na sequência da alegada agressão, na semana passada, dos encarregados de educação de uma aluna a dois professores e dois auxiliares de ação educativa, caso a ser investigado pela Guarda Nacional Republicana, onde foram formalizadas as queixas dos docentes e funcionários do estabelecimento de ensino.

No cordão humano, Catarina Domingues, uma das professoras alegadamente agredidas explicou que apenas quis defender uma das auxiliares envolvidas no caso.

A docente de educação especial e educação visual, garantiu que a funcionária foi “injustamente” agredida pela mãe da aluna de 14 anos.

“Quando tentei defender a funcionária, fui apanhada pela mãe da criança. Mais tarde, chegou outro colega que também foi agredido”, explicou

Catarina Domingues referiu a existência de “alguns casos” de violência envolvendo encarregados de educação e “invasões” do estabelecimento de ensino, que passou a estar “protegido por portões automáticos”.

“Temos situações pontuais, mas desta gravidade não. Tantas agressões de uma vez só, e com tanta agressividade, nunca aconteceu”, destacou.

Uma das duas funcionárias alegadamente agredidas, Célia Rodrigues, garantiu “não se tratar de questão de racismo, mas de respeito”.

A auxiliar de ação educativa explicou que a aluna “queria passar a frente de todos” numa fila de alunos e que a impediu de o fazer.

“Fui insultada com todos os nomes possíveis e imaginários. Um professor que veio tentar apaziguar a situação também foi insultado”, afirmou.

Já o pai da aluna, Bruno Rossio, culpou a direção do estabelecimento de ensino que disse “ter-lhe virado as costas por ser cigano”.

“Não é a primeira vez que a minha filha é ameaçada. Falei com a direção da escola para ver se tomavam medidas drásticas e não tomaram. Porquê? Porque não sei ler nem escrever e porque sou cigano. É uma vergonha”, disse.

O encarregado de educação acusou a funcionária de ter “apanhado a filha, deitando-lhe a mão ao pescoço e arranhando-a toda no pescoço” e um professor que “apanhou a filha e ameaçou-a”.

“Apresentei queixa, só que antes da queixa, a minha mulher bateu, não nego. A minha mulher bateu porque já que não vemos a direção a tomar medidas drásticas, o pai e a mãe da criança tomam medidas. Viraram-me as costas. Porquê? Por ser cigano?”, reforçou.

Lucinda Serra, de 64 anos, é professora de matemática, há dez anos escola EB 23/S.

De nacionalidade espanhola e a viver há 30 anos em Portugal, a docente referiu que os casos de violência “não são habituais” na escola mas o que originou os protestos de hoje “foi muito grave para passar em branco”.

“O caso está a ser mal interpretado. Não se trata do problema de quem o praticou mas do facto em si. Não podemos permitir estas agressões na escola, nem na sociedade. É bom que os nossos alunos percebam que não é assim que se resolvem as coisas Não faz sentido eles os encarregados de educação estarem de um lado e nós do outro. Devíamos estar todos do mesmo lado a condenar um ato que não pode ser permitido”, destacou a docente.

Margarida Rodrigues, tem dois filhos a estudar escola  EB 23/S, e queixou-se “de um ambiente que se tem vindo a degradar, por situações de falta de respeito pelos professores e funcionários, protagonizadas por alunos e encarregados de educação”.

“Há muitas crianças que não acatam as regras, não tem educação em casa e os professores estão a sentir-se cada vez mais impotentes, não dão as aulas em condições e a escola não funciona bem. Há uma grande falta de respeito. Tem de haver mais sanções, frisou.

A escola tem mais de 800 alunos e está a ser alvo, desde fevereiro, de uma intervenção de requalificação, ansiada há mais de 30 anos, num investimento de 3,2 milhões de euros.

 

O cordão humano promovido pela comunidade educativa contou com o apoio do Sindicato dos Professores do Norte (SPN) e do Sindicato Independente de Professores e Educadores (SIPE) que exigiram “medidas urgentes para travar este tipo de casos, cada vez mais frequentes nas escolas”.

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