Tradicional Lanço da Cruz afirma-se como património vivo e identitário em Valença
07 Abril 2026, 12:35
O tradicional Lanço da Cruz voltou a mobilizar, esta segunda-feira, milhares de pessoas nas margens portuguesa e galega do rio Minho, naquela que foi uma edição particularmente simbólica, realizada pela primeira vez com o estatuto oficial de Património Cultural Imaterial, recentemente inscrito no Inventário Nacional.
As celebrações tiveram início pelas 15h00, no Largo da Estátua da Senhora da Cabeça, em Cristelo Covo, com a cerimónia de descerramento da placa evocativa desta distinção, assinalando formalmente o reconhecimento nacional de uma tradição secular profundamente enraizada na identidade das comunidades transfronteiriças. Seguiu-se a inauguração da exposição “Lanço da Cruz – Património Cultural Imaterial: Tradição, Fé e Identidade”, patente no Centro de Promoção do Rio Minho – Biodiversidade do Rio Minho, no Pavilhão Náutico.
Pelas 16h00, teve lugar o momento central desta tradição pascal, que ocorre anualmente na segunda-feira após o Domingo de Páscoa. O compasso fluvial iniciou-se no Cais da Senhora da Cabeça, reunindo embarcações portuguesas e galegas numa procissão única nas águas do rio Minho. No ponto de encontro, a meio do rio, cruzaram-se as duas margens e as duas tradições, com o pároco português a dirigir-se à margem galega e o pároco de Sobrada, em Tomiño, a acompanhar o regresso à margem portuguesa.
- Foto: Câmara Valença
- Foto: Câmara Valença
Ao longo do percurso, as cruzes foram dadas a beijar aos milhares de peregrinos e visitantes que acorreram ao local, num ambiente marcado pelos sons das gaitas de foles e pelo rufar dos bombos, reforçando o carácter festivo e devocional do evento.
Durante a cerimónia, foram benzidas as redes, as embarcações e os pescadores, num ritual que alia a fé cristã a práticas ancestrais ligadas ao rio e à atividade piscatória. O tradicional lançamento das redes voltou a cumprir-se.
Para José Manuel Carpinteira, Presidente da Câmara Municipal, “O Lanço da Cruz é uma herança viva, preservada ao longo de gerações, que hoje continua a unir comunidades, a aproximar territórios e a afirmar o rio Minho como um espaço de encontro, de fé e de identidade partilhada.”
No evento participaram, também, a Alcaldesa de Tomiño, os Vereadores do executivo municipal, o presidente da Assembleia Municipal de Valença, o presidente da União de Freguesias de Arão, Cristelo Covo e Valença entre outras entidades institucionais portuguesas e galegas.
























