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Alvarães cria roteiro para mostrar arte popular da confeção dos andores floridos

Rádio Alto Minho

18 Maio 2017, 8:44

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Uma tradição com mais de 70 anos cumpre-se anualmente em Alvarães, Viana do Castelo, que junta centenas de pessoas em torno da Festa de Santa Cruz e Andores Floridos, que acontece este fim de semana.
O destaque da festa são os 11 andores confecionados com pétalas fixadas com uma cola feita à base de farinha e água, que permite mantê-las, por vários dias, viçosas e coloridas. O mais espantoso é que permite manter o cheiro das flores, o que caracteriza aqueles andores, decorados com motivos religiosos, paisagísticos e monumentais.
O trabalho começa dias antes da festa, que decorre entre 19 e 21 de maio, com a apanha das flores pelos montes envolventes, mas os bordadores dos andores só podem começar a trabalhar três dias antes da procissão de sábado, dia 20, pelas 16:30, para que as pétalas não oxidem. É, normalmente, no pátio das casas dos mordomos da festa, que na madrugada de sexta-feira se dá por concluída a decoração dos andores.
Chegam a juntar-se, à volta de cada andor 40 bordadores. Pessoas de todas as idades e profissões que criam autênticas obras de arte.
Este ano, a Comissão de Festas decidiu criar um percurso pelos 11 lugares da freguesia, que indica as casas onde estão a ser confecionados os andores e convida o visitante a presenciar e participar nesta arte popular.
O Roteiro dos Andores, através de uma placa explicativa, permite ao visitante saber o tema e a história de cada um dos andores que desfilam no domingo pelo centro da freguesia.
“Esta é uma festa muito importante para a freguesia com uma tradição que se vai mantendo e passando de geração em geração. Ao longos dos anos temos sentido que as pessoas querem ver de perto esta arte e até participar e, por isso, este ano, decidiu-se criar o Roteiro e proporcionar este convívio.  São utilizadas no total cerca de um milhão de pétalas de flores para bordar a totalidade dos andores. Não há nada idêntico no país”, explicou Fernando Martins, presidente da Junta de Freguesia de Alvarães.
Os andores e as cruzes são decorados exclusivamente com plantas naturais. A colagem das pétalas, a conjugação das cores, o brilhantismo de cada lugar que tenta fazer do seu o melhor andor, com muito bairrismo à mistura, são motivos que tornam esta festividade tão especial, que une novos, antigos e muitos emigrantes da freguesia.
“Desde os meus 18 anos que venho anualmente às festas, sem falhar. É a minha terra e as suas tradições e também para ajudar”, conta Domingos Caetano, de 57 anos. Emigrante desde os 11 anos em França, chega uns dias antes para ajudar a colher as flores na confeção dos andores.
“Há 25 anos que venho com a minha esposa, natural de França, foi um acordo de casamento: virmos sempre às festas. A verdade é que ela hoje adora as nossas festas e estas tradições”.
Um trabalho minucioso que através da conjugação das cores e texturas das pétalas forma desenhos temáticos, transformando os andores em verdadeiras obras de arte popular.
Cada andor é ainda composto por emblemas desenhados e preenchidos com várias sementes, que dão forma ao tema do andor. Fernando Marinho, empresário da freguesia, de 42 anos, está há três semanas a fazer os emblemas do andor do seu lugar.
“Cada emblema tem à volta de 60 centímetros e coloco semente a semente, uso diferentes para conjugar as cores e dar forma ao que se pretende, por exemplo sementes de linhaça, alpiste, entre outras. Este ano fiz o rosto de Cristo e os outros não posso desvendar”, adianta.
Há 10 anos que o empresário faz estes quadros, que depois são finalizados com as pétalas.
Os andores e cruzes floridas, “ex-libris” de Alvarães são uma tradição que data de 1946. Nessa altura, foram confecionados com flores naturais para coroação da Senhora de Fátima. A ideia foi tão bem acolhida pela população que se mantém viva até aos dias de hoje.
“Tudo isto é feito pela tradição, pelo bairrismo que se sente e o gozo que dá trabalharmos para manter vivas as nossas tradições. É uma festa que une as pessoas da freguesia, todas dão o seu contributo”, sublinha Domingos Silva, que este ano comemora as bodas de prata e que, por isso, integra a Comissão de Festas. O critério de eleição chama àquela organização os casais da freguesia que comemoram 1, 25 e 50 anos de casamento.
 
A arte e o engenho são a atração da festa de Santa Cruz e dos Andores Floridos que envolve a população de toda a freguesia e, na qual este ano são esperadas mais de 20 mil pessoas

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