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Cultura

Manto e vestido de Nossa Senhora da Agonia feitos há oito ano por “fé e devoção”

Rádio Alto Minho

19 Agosto 2016, 10:19

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Quando, no sábado à tarde, Nossa Senhora da Agonia sair  da Igreja a que dá o nome para a procissão ao mar e ao rio, envergará um manto e um vestido, em veludo italiano, com acabamentos em linho que foram feitos “à mão”,  há oito anos por Conceição Silva.

“Foi por devoção, muita fé e respeito. Sou mulher de pescador e tenho muito orgulho em ter vestido Nossa Senhora d’Agonia”, contou Conceição Silva que também confecionou o laço do altar, com apontamentos em filigrana.

Agora já reformada, Conceição recordou “os mais de nove meses de trabalho” que gastou nas confeção das vestes da santa “feitas à mão” e o “esforço” que teve que fazer na altura para conciliar “o emprego e o apoio aos três filhos”.

“Valeu a pena. É uma felicidade muito grande”, afirmou.

A procissão ao mar é um dos números mais emblemáticos da Romaria mas também dos mais recentes, já que se realiza, sempre a 20 de agosto, apenas desde 1968.

Já o culto em Viana do Castelo à padroeira dos pescadores tem a sua primeira referência escrita em 1744.

Segundo a VianaFestas, entidade que organiza a Romaria, este ano caberá ao barco de pesca “Montaria”, devidamente engalanado, a tarefa de levar a imagem da santa padroeira. João Montaria é o dono da embarcação e é pescador há mais de 30 anos.

Nas margens, milhares de pessoas concentram-se para ver e saudar a procissão, envolvendo mais de uma centena de embarcações de pesca e de recreio.

No regresso a terra, os pescadores transportam os andores de novo à igreja, agora pelas ruas da ribeira onde na hoje à vão começar a ser confecionados os típicos tapetes de sal com cerca de 30 toneladas de sal, tingido às cores.

A confeção dos tapetes de sal em cinco ruas e uma alameda da ribeira de Viana realiza-se sempre na noite anterior ao dia da padroeira, 20 de agosto, feriado municipal, mobilizando centenas de pessoas, sobretudo moradores daquela zona da cidade.

Como manda a tradição é por estes tapetes que o andor da Senhora d’Agonia irá passar no regresso da também típica procissão ao mar e ao rio.

A preparação começa meses antes da festa, mas a confeção dos tapetes que atrai milhares de forasteiros que se perdem pelas tasquinhas da ribeira, animadas durante toda noite com concertinas e cantares ao desafio.

Trata-se de um dos mais típicos números da Romaria d’Agonia que, este ano, vai contar com a presença do primeiro-ministro. Já em 2015 António Costa visitou as ruas da Ribeira durante a elaboração dos tradicionais tapetes, mas, na altura, em campanha eleitoral para as legislativas.

 

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